O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso desde sexta-feira (18) no âmbito da Operação Vectura Corrupta, aparece como sócio e administrador de empresas que têm, somadas, mais de R$ 52 milhões em capital social, segundo documentos da Jucesp (Junta Comercial de São Paulo).

Os arquivos mostram uma estrutura empresarial que reúne Milton, a mulher, Neusa Maria Paulino da Silva, e os filhos Milton Leite Filho, Alexandre Leite e Felipe Leite —os dois primeiros são atualmente deputados. Parte das empresas tem a Neumax, construtora da família, como sócia. O ex-vereador foi preso em uma investigação que apura infiltração da facção PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público paulistano.

A maior delas é a Planevia Planejamento Projetos e Consultoria Técnica, que teve o capital elevado para R$ 34,4 milhões em março deste ano. Na alteração, a Neumax passou a deter R$ 33,6 milhões da empresa. Milton Leite aparece como administrador da Planevia, representando a Neumax. Também são sócios Milton Leite Filho, com R$ 240 mil, Neusa, com R$ 200 mil, e três empresas, entre elas a Centurion Empreendimentos e Participações, com R$ 160 mil.

A Centurion é propriedade de Leandro Hereda Pinheiro, filho do ex-prefeito de São Caetano do Sul Paulo Pinheiro. A família Hereda tem proximidade com os Leite. Gislaine Hereda Pinheiro, irmã de Leandro, é namorada de Milton Leite Filho. Ela já foi diretora de comunicações da Câmera Municipal de São Paulo e, em 2023, ela foi nomeada assessora do gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Município Ricardo Torres.

À época, a Folha mostrou que a nomeação fazia parte das articulações políticas em torno da indicação de Torres para o TCM, que havia sido apoiada por Milton Leite.

A Neumax também aparece como única sócia de duas empresas abertas neste ano: a Sorocaba Neumax SPE, com capital de R$ 3 milhões, e a Neumax Atlântica SPE, com capital de R$ 13 milhões. Em ambas, Milton Leite figura como administrador e representante da construtora.

Outra empresa ligada diretamente a Milton é a Lesimo Sondagens Projetos e Construções, com capital social de R$ 600 mil. Ele aparece como sócio e administrador, com participação de R$ 300 mil. Milton Leite Filho também é sócio e administrador, com R$ 300 mil.

A Lesimo é a empresa proprietária do imóvel de Santo Amaro invadido neste domingo (20). A casa na rua General Bráulio Guimarães foi adquirida pela empresa em maio de 2023. No local, policiais encontraram documentos e cartões bancários de Leite, além de dois sacos com listas de nomes e valores.

Todas as empresas estão localizadas entre os bairros vizinhos de Socorro e Veleiros, na zona sul de São Paulo.

A estrutura empresarial da família já havia aparecido nas investigações sobre a Transwolff. Em 2024, o UOL revelou que a Neumax mantinha contrato de aluguel de um conjunto industrial e de um terreno para a empresa de ônibus por R$ 812 mil mensais. O Ministério Público apontava à época um "estreito relacionamento" entre Leite e a cúpula da Transwolff.

A Transwolff é um dos focos da Operação Vectura Corrupta, que investiga a suspeita de infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo. Segundo os investigadores, Milton seria o responsável direto pela gestão da empresa e seu dono de fato. Ele nega as acusações e afirma que sua relação com o setor de transporte sempre foi institucional.

A operação, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, investiga a atuação do crime organizado em empresas de ônibus e em contratos públicos. Milton se entregou à polícia na sexta-feira e está preso temporariamente em Mogi das Cruzes.

Por meio de seu advogado, ele nega envolvimento com as suspeitas investigadas. Em entrevista à Folha antes de se entregar, afirmou que não conhece integrantes do PCC e que não é dono da Transwolff.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS