As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo nesta quarta-feira (14) foram causadas por uma combinação de fatores, como uma área de baixa pressão, calor e concentração de umidade, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Essa baixa pressão formada entre o Mato Grosso do Sul e o oeste paulista levou a tempestades violentas, com raios, granizo e rajadas de vento. Marcelo Seluchi, meteorologista coordenador de Operações e Modelagem do órgão, explica que o temporal se deslocou ao longo do dia até a região metropolitana de São Paulo.

Durante a tarde, o temporal causou alagamentos em diversos bairros da capital paulista, quedas de árvores, inundação no túnel do Anhangabaú e uma morte após deslizamento de terra em Brasilândia, na zona norte.

"Durante o dia, essa área foi se deslocando mais para leste. A mistura de calor e umidade favorece a formação dessas tempestades", disse.

As chuvas recentes acima da média também contribuem para o cenário. "A atmosfera tem muita umidade, o solo tem muita umidade, e essa umidade é alimento também para novas chuvas. Então se estabelece um círculo que se autoalimenta", acrescentou.

A situação levou a Defesa Civil a emitir 45 alertas de riscos para cidades paulistas. Segundo o coronel Araújo Monteiro, já estava previsto um volume mais expressivo em alguns pontos do estado. O maior volume registrado foi de 73 mm em 24h na Vila Clementino, na zona sul da capital paulista.

"Em um espaço de tempo de cerca de três horas, conforme nossas estações, esse volume de chuva foi considerado um pouco mais acentuado e causou alagamentos e outros transtornos na cidade", disse ele à Folha.

"Não é simples mensurar a quantidade de volume para dizer que a chuva é ser forte ou fraca. Às vezes a chuva pode ter um volume acumulado bem abaixo, mas a força da ventania e a chuva de granizo podem trazer muito mais estragos", acrescentou.

A prefeitura chegou a suspender o rodízio de veículos na volta para casa. Balanço das 18h do Corpo de Bombeiros indicava 11 chamados para quedas de árvore, 4 para desabamentos e 17 para ocorrências de enchentes.

Durante a chuva, o CGE alertou para rajadas de vento e alagamentos intransitáveis. E algumas vias da capital paulista viraram rios. O trânsito deu um nó. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a lentidão no trânsito passou dos 1.000 km no município às 18h30.

Por volta das 16h30, a região da praça 14 Bis e a avenida 9 de Julho, na Bela Vista, no centro, estavam alagadas e não era possível o trânsito de carros. O mesmo cenário era visto na avenida 23 de maio.

Ainda na Bela Vista, uma árvore caiu e atingiu dois carros na rua Doutor Plínio Barreto. Um dos veículos foi um táxi. O motorista estava sozinho no momento e não se feriu.

Os bombeiros atuam para remover a árvore e liberar a via, que teve de ser interditada.

No Cambuci, no centro, a rua Almirante Mauriti estava intransitável, assim como a avenida Santo Amaro, na zona sul. Também foram reportados alagamentos na Liberdade e em Santa Cecília, na região central.

Na zona sul da cidade, o lago do parque Ibirapuera transbordou. A Urbia, concessionária do local, disse que o pluviômetro marcou 97 mm em menos de uma hora. "Equipes de campo estão mobilizadas e realizam vistorias em todas as áreas do parque e não houve nenhuma intercorrência com usuários."

O córrego Sapateiro, na Vila Mariana, que fica na mesma região, também teve transbordamento —o acúmulo de água reportado pelo CGE foi de 67,8 mm, o maior na cidade. Na Sé, o volume chegou a 48,5 mm.

Às 16h03, o Centro de Gerenciamento de Emergência reportou rajada de vento de 61,1 km/h na região do aeroporto de Congonhas, na zona sul.

Segundo a Aena, concessionária que administra o aeroporto, houve 11 chegadas e 13 partidas canceladas.

No aeroporto internacional de Guarulhos foram quatro voos alternados para outros locais porque não conseguiram pousar.

Na terça-feira (13), o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) já havia alertado para perigo de tempestade nesta quarta-feira. O aviso era para cidades de seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Segundo o alerta, nesta quarta poderia chover até 60 mm/h e os ventos poderiam atingir até 100 km/h. Havia previsão também de queda de granizo.

Os riscos, conforme o Inmet, eram de estragos em plantações, queda de energia elétrica, de árvores e alagamentos.