O governo federal anunciou neste sábado (17) o envio de mais cinco aeronaves para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas, além da mobilização de militares e policiais federais.

Com a ampliação, a frota disponível para as operações passará de 11 para 16 aeronaves. O número de agentes que serão enviados ainda não foi definido.

O anúncio inclui R$ 14 milhões para ações emergenciais e a instalação de uma base da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) em Manaus.

Neste sábado (17), o excesso de fumaça impediu a decolagem das aeronaves de combate aos incêndios nos dois aeroportos utilizados em Manaus. Segundo o Ibama, a baixa visibilidade compromete a segurança das operações.

Segundo o governo, também serão intensificadas as investigações sobre relatos de incêndios provocados deliberadamente. Ainda não há informações sobre quantas ocorrências estão sob investigação, nem suspeitos.

Uma comitiva de ministros e técnicos irá à capital amazonense neste domingo (18) para acompanhar a situação e coordenar o reforço das operações. Estão previstas as participações dos ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Entre as aeronaves adicionais está um segundo avião militar KC-390 que tem capacidade para lançar até 19 mil litros de água a cada saída. O avião se juntará a outro do mesmo modelo já usado na operação, com capacidade de lançamento de 12 mil litros.

O reforço também terá helicópteros para lançar água, transportar equipes e levar equipamentos a regiões de difícil acesso. A estrutura já utilizada inclui veículos terrestres e embarcações.

Desde o início das operações de apoio federal, em 9 de outubro, foram lançados cerca de 600 mil litros de água, em 260 horas de voo.

Não foi detalhado qual será o aumento do efetivo policial e militar na região. "O governo federal mantém a articulação com as autoridades estaduais para intensificar o combate aos incêndios florestais, prevenir novas ocorrências e investigar possíveis ações criminosas", declarou a Presidência da República.

O Amazonas registrou 7.815 focos de calor entre 1º de janeiro e 12 de outubro, alta de 116% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Apesar do aumento, o acumulado estava 12% abaixo da média histórica e 67% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2024, quando uma seca extrema atingiu a Amazônia.

A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal participam da operação. O Ministério da Defesa também mobilizou militares, além de apoio aéreo e logístico.

Na área da saúde, a instalação da base da Força Nacional do SUS está prevista para terça-feira (20). Segundo o governo, a mobilização é preventiva. Até o momento, não houve sobrecarga dos serviços de saúde devido aos incêndios.

A unidade de Manaus será a quarta base aberta neste ano e integra o plano federal para responder a possíveis impactos do El Niño de 2026/2027.

Os R$ 14 milhões anunciados pela Defesa Civil Nacional foram empenhados neste sábado, ou seja, reservado para eventuais despesas. Os recursos serão destinados a apoio logístico, equipamentos de proteção, combate ao fogo e contratação de duas aeronaves.

A concentração de fumaça levou à suspensão das aulas da rede municipal de Manaus na quarta-feira (14). A prefeitura interrompeu, ainda, atividades ao ar livre e em locais com aglomeração até este domingo (18). Na rede estadual, houve suspensão de aulas na capital, em Autazes e no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba.