O elefante asiático Sandro, de 54 anos, chegou nesta sexta-feira (18) ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. O animal vivia desde 1982 no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, no interior paulista.

Em junho, a Justiça ordenou que o animal fosse levado ao santuário, após uma disputa judicial de mais de cinco anos pela guarda do mamífero. O processo foi iniciado por uma ação civil pública do Ministério Público de São Paulo que acusava más condições no recinto de Sandro no zoológico.

A viagem de Sandro à Chapada dos Guimarães começou na última quarta-feira (16), quando ele foi retirado do zoológico em uma caixa de transporte colocada sobre um caminhão. Ocorreram protestos contrários à transferência em Sorocaba e houve tumulto durante a saída do veículo.

Raphael Bontempi, diretor do SEB, diz que manifestantes hostilizaram e agrediram a equipe do santuário. "O prefeito agitou a população, uma multidão foi para lá e saímos escoltados com guarda-costas. As pessoas atravessaram carros na via para não deixar o caminhão ir embora. Foi uma cena lamentável", afirma.

Procurada, a gestão do prefeito Rodrigo Manga (sem partido) afirmou que desconhece agressões físicas e que colaborou com o processo de transferência, por meio da presença da Guarda Civil Municipal e de agentes de trânsito.

"Com relação ao processo judicial, o município apresentou recursos, bem como pedido de suspensão da ordem judicial para que o elefante Sandro permaneça em Sorocaba, e aguarda a decisão da Justiça", diz prefeitura, em nota.

O santuário divulgou imagens que mostram excrementos no recinto onde o elefante vivia no zoológico. A gestão municipal afirma que a Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal preparava melhorias no espaço.

A viagem teve adaptações em relação a outras transferências de elefantes ao santuário, diz Bontempi. "Instalamos mais câmeras térmicas e ar-condicionado dentro da caixa, e também compramos uma máquina para picar alimentos."

Sandro é o primeiro macho a viver no SEB, onde já moram as fêmeas Bambi, Guillermina, Mara, Maia, Rana e Baby. Ele ficará em área separada das outras elefantas, mas poderá vê-las e se comunicar através da cerca.

"O importante é que ele socialize, possa sentir cheiros e saber que tem mais animais lá, para não se sentir sozinho", diz Bontempi.

No futuro, existe a possibilidade de Sandro se aproximar mais das elefantas, por meio de uma cerca que liga o recinto do macho ao das fêmeas. Isso só acontecerá caso os animais mostrem interesse e disposição, segundo o diretor do santuário.

Primeiro estabelecimento do tipo na América do Sul, o SEB enfrentou o escrutínio das autoridades em 2025, com as mortes das elefantas-africanas Kenya e Pupy. A Folha esteve no local em fevereiro deste ano.

A instituição questiona o padrão de cativeiros e se posiciona como uma alternativa para cuidados de animais que já foram expostos em circos ou zoológicos. O local proíbe a visitação do público e se sustenta por meio de doações e parcerias internacionais.