A Polícia Civil do Ceará prendeu preventivamente, nesta terça-feira (22), João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, estudante encontrada morta em condomínio em Fortaleza em 13 de setembro. A informação foi confirmada pela advogada de João Munhoz Neto.

Na noite da segunda-feira (21), ele deu depoimento de cerca de quatro horas e entregou celular e senha à polícia, segundo sua defesa. João alegou que não tinha relação com morte e que passou os últimos dias na casa de um parente em Fortaleza. "Ele não tinha condições de estar na mesma casa que dormiu com a moça", diz a advogada Lígia Peixe.

"Eu não tenho como dizer por que estão fazendo isso, porque sabe-se que pode ter ocorrido queda ou suicídio, um ou outro. Mas não houve feminicídio, não houve homicídio, não houve instigação", critica a advogada. "Estão montando uma história para crucificar um rapaz que tem um relacionamento recente, de menos de três meses", completa. "O erro foi que ele adoeceu e ficaram distantes."

A advogada diz ainda que João Munhoz Neto negou ter bloqueado a mãe da namorada nas redes sociais. "Ele disse que foi ela, a mãe, que bloqueou as mensagens. A gente tem que aguardar a perícia para saber quem bloqueou quem."

Segundo Lígia Peixe, também não é verdade que o cliente seria controlador, como acusam os familiares de Isabelle. "Ela era uma menina de personalidade forte. Ele é um cara que estava apaixonadíssimo, porque ela era linda. mas não tem histórico nenhum disso", diz. "A gente entende a dor da mãe, de perder uma filha, mas acho que está sendo uma coisa precipitada."

A advogada também afirma que Isabelle gostava de subir até o último andar do prédio por causa da vista. "Ela costumava fazer isso porque a vista é muito bonita lá em cima."

O caso ganhou repercussão nacional após a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, cobrar respostas em vídeo divulgado nas redes sociais. Ela e o filho Rafael Magalhães prestaram depoimento à polícia na segunda-feira (21).

Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na noite de 13 de setembro. Ela morava no local com o namorado e a família dele.

A estudante namorava João há poucos meses. Eles se conheceram em julho após Isabelle inicar um estágio em escritório de advocacia em que ele trabalhava.

Segundo o escritório, a mulher integrou a equipe por aproximadamente 20 dias, até o início de agosto. Ela solicitou desligamento por razões de ordem pessoal. "Posteriormente, o Sr. João Munhoz Neto também deixou de prestar serviços ao escritório", declarou o escritório em nota.

A jovem passou a morar com o namorado e com familiares dele em um condomínio no bairro de Aldeota, em Fortaleza. No domingo do ocorrido, ela havia passado o dia na casa da mãe, mas foi encontrar o namorado para irem a uma missa.

A SSPDS-CE (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará) afirma que a Polícia Civil conseguiu, por meio das análises das câmeras do condomínio, a cronologia dos deslocamentos da estudante e do namorado.

Segundo imagens das câmeras do obtidas pelo jornal Diário do Nordeste, João Munhoz e a mãe deixaram o prédio enquanto Isabelle ainda estava no local. Em seguida, a estudante foi vista sozinha no elevador, seguindo para o 23º andar. O namorado teria retornado ao condomínio às 22h48, depois do horário estimado da morte.

O laudo cadavérico apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo da vítima compatíveis com o impacto contra o solo. Exames laboratoriais realizados tiveram resultado negativo para substâncias tóxicas.

A mãe de Isabelle, no vídeo que repercutiu nas redes sociais, criticou João Munhoz Neto, a quem chamou de controlador. "Ele era extremamente controlador, fora do normal, obsessivo", disse Isorlanda.

Ela também questionou o silêncio da família de Munhoz Neto, que não avisou da morte da estudante. Isorlanda soube do ocorrido pela síndica do condomínio no dia seguinte.

No início da noite do último domingo (20), a Polícia Civil localizou, na praia do Cumbuco, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, a mãe dele. O celular dela e um tablet foram apreendidos para perícia após cumprimento de mandado de busca e apreensão.