Uma ação do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil, contra o comércio ilegal de cabos e fios localizou diversos carregadores de fuzil e pistola, além de outros itens usados por policiais civis, em um ferro-velho na Vila Matilde, zona leste de São Paulo, nesta segunda-feira (14).

Os policiais haviam ido ao local para verificar a procedência ilegal de materiais de uma empresa de telefonia. No entanto, durante as buscas, encontraram grande quantidade de material usado por agentes públicos.

Parte dos itens encontrados estava em sacos com lacres da Polícia Civil. Em tese, eles deveriam estar sob custódia em fóruns.

O responsável, em conversa com os investigadores, teria afirmado que seu estabelecimento supostamente era credenciado junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo para a remoção de objetos destinados à destruição.

Procurado, o tribunal disse que não mantém convênios para depósito de armas de fogo ou munição.

"Os objetos, armas e munições apreendidos em inquéritos policiais, termos circunstanciados ou procedimentos de apuração de ato infracional não são recebidos nas unidades judiciais e devem ser mantidos na Central de Custódia vinculada à Secretaria de Estado da Segurança Pública, até final destinação. Havendo decisão judicial pela destruição do armamento, a unidade comunica a Secretaria de Estado da Segurança Pública, que providencia a destruição junto ao Exército", diz a nota.

O TJ-SP também disse que não tem detalhes sobre o caso da Vila Matilde.

Entre os produtos apreendidos estão nove carregadores de pistola, quatro carregadores de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62, três camisas com brasão da Polícia Civil, dois distintivos, duas algemas, um boné da Polícia Civil, um distintivo de agente de escolta, três armas falsas, três silenciadores, uma mira de precisão para arma longa, quatro inibidores de sinal e duas balaclavas, além de cabos subtraídos de uma empresa de telefonia e um aparelho de fusão.

O responsável pelo local foi detido sob suspeita de receptação e infração ao Estatuto do Desarmamento. Ele não teve o nome divulgado, e a reportagem não identificou a defesa.

Um representante da empresa de telefonia reconheceu os cabos como itens exclusivos da companhia.