Jorlan Lopes da Silva, 33, considerado pela Polícia Civil da Paraíba como autor de múltiplos homicídios no Vale do Mamanguape, no litoral norte paraibano, foi preso no domingo (13) na cidade de Mulungu, no agreste do estado. O cerco que levou à prisão se estendeu por mais de 30 horas.
Segundo a corporação, ele foi encontrado disfarçado, usando vestido e peruca, e carregava uma criança de dois anos no colo, o que é investigado.
Em interrogatório, Silva afirmou ter matado cerca de 80 pessoas ao longo da vida. A Polícia Civil não confirmou o número e segue com a apuração para detalhar o histórico de violência do suspeito.
A reportagem não identificou a defesa dele.
Conforme a investigação, pelo menos 16 homicídios teriam sido cometidos pelo suspeito nos últimos três meses. Os assassinatos ocorreram desde maio, quando ele foi posto em liberdade após cinco anos preso.
Silva passou por audiência de custódia no início da semana, onde teve a detenção convertida em prisão preventiva (sem prazo), e foi encaminhado à Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa.
Segundo o próprio suspeito, seu primeiro assassinato teria sido cometido aos 13 anos. Ele afirmou ser uma pessoa tranquila e trabalhadora.
"De lá pra cá, ele vem cometendo diversos crimes violentos, sob a alegação de que suas vítimas seriam pessoas envolvidas com o mundo do crime", disse o delegado Douglas Garcia, responsável pelo caso. "Ele, com o sentimento de fazer justiça com as próprias mãos, acaba cometendo esses assassinatos."
"Nunca mexi com nenhum pai ou mãe de família, trabalhador, nada. Só com criminoso", afirmou Silva em depoimento.
O órgão afirma que ele era integrante de uma organização criminosa ultraviolenta, mas não chegou a especificar qual. Silva negou a associação. "Essa é uma guerra minha, pessoal, e eu sozinho respondo pelos meus atos", disse o suspeito em interrogatório.
Segundo o delegado Garcia, o suspeito vivia em uma região de mata, o que teria dificultado a ação das forças de segurança.
Ele havia sido encontrado pela Polícia Civil no final de agosto em Rio Tinto, mas conseguiu fugir após entrar em confronto com os agentes.
Durante a ação, num acampamento na mata, foram apreendidos coletes à prova de balas, a coronha de uma submetralhadora, carregadores alongados e mais de 100 munições. Silva confessou a propriedade do material.

