O garoto Oto de Sá Cavalcante nasceu em Fortaleza (CE) e queria ser jogador de futebol, mas o sonho logo foi substituído pelo ingresso, aos 17 anos, na graduação de engenharia civil, na UFC (Universidade Federal do Ceará), um sonho antigo de seu pai, Ari de Sá Cavalcante, que deu início à trajetória da família na educação.
Assim, aos 19 anos, o jovem Oto, o mais velho dos cinco filhos de Ari e Maria Hildete, começou a lecionar matemática na escola do pai, que morreu precocemente. Oto, então, assumiu a direção da escola ao lado da mãe e do irmão.
Engenheiro, também investiu na construção civil e, em 2001, após reestruturação nos negócios da família, fundou o Colégio Ari de Sá Cavalcante, hoje com seis unidades no Ceará e cerca de 8.000 alunos, da educação infantil ao pré-vestibular.
Oto também foi diretor-presidente do Centro Universitário Ari de Sá (Uniari) e presidente do conselho de administração da Arco Educação, plataforma de educação básica e gestão escolar, fundada em 2006 por seu filho, Ari de Sá Neto.
Em nota, a Arco define Oto como guardião da qualidade e da disciplina. "Sua liderança serviu de alicerce e chancela de credibilidade para que a terceira geração expandisse a operação nacionalmente e transformasse o negócio na maior plataforma de educação básica da América Latina, que hoje apoia a formação de 4 milhões de estudantes."
Organizado e pontual, Oto gostava de tudo planejado e preparado, sendo cuidadoso e exigente, especialmente com os filhos. "Era um grande professor, estava sempre ensinando", lembra o filho. "Foi um sábio professor, um orientador vocacionado para a educação, sempre com muito amor. Um visionário, que acreditou no poder transformador da educação."
Apaixonado pelo trabalho, mas também pela família, foi um pai presente, que adorava levar os filhos para ver a natureza e o mar, andar de buggy e viajar com eles e a mulher, Margarida, com quem foi casado por 48 anos.
Torcedor do Ceará, adorava música, como as de Frank Sinatra, Tom Jobim, Roberto Carlos e Luciano Pavarotti. Outra distração nas horas vagas era a literatura, especialmente os clássicos, como os de Machado de Assis, Khalil Gibran e Rainer Maria Rilke. Também gostava de filosofia e de biografias.
Apesar de amar a educação, nunca abandonou a engenharia. "Estava sempre fazendo obras na escola, pensava em tudo, nos espaços, em como esses espaços conectavam com os alunos. Era um grande entusiasta da engenharia aplicada à educação", conta o filho.
Oto morreu em 28 de junho, aos 80 anos, de causa não divulgada pela família. Deixa a mulher, cinco filhos e oito netos.


