A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) prometeu proteger com câmeras do SmartSampa e agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) a exposição "Jazz – o livro de artista de Henri Matisse", reaberta na tarde deste sábado (12) na Biblioteca Mário de Andrade, no centro. Os agentes da GCM ficarão à disposição para fazer a segurança durante 24 horas até o final da exposição.
A mostra reúne oito gravuras da Matisse que haviam sido furtadas do acervo da instituição em dezembro do ano passado e recuperadas pela Polícia Civil em agosto. Elas foram encontradas em um apartamento em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Agora, estão novamente disponíveis à visitação.
A mostra reúne as 20 composições do álbum Jazz, publicado em 1947 pelo artista francês, e fica em cartaz até 12 de outubro. A entrada é gratuita.
"Foi uma vitória muito grande poder colocar a obra do artista onde ele deve estar, que é exposta ao povo. Tivemos aí um trabalho muito eficiente da Polícia Civil de São Paulo de recuperar essas peças e hoje nós temos aí a coleção completa", explicou o secretário municipal de Cultura, Totó Parente.
Segundo ele, seis câmeras ligadas ao serviço SmartSampa foram instaladas na sala da exposição. As imagens com reconhecimento facial podem ser utilizadas para identificar possíveis ladrões.
"Esse furto teve repercussão enorme. Há duas semanas visitei Biblioteca Nacional de Londres. Antes de me cumprimentar, a primeira coisa que a diretora da biblioteca me disse foi: 'Recuperaram as peças Matisse?' Ela contou que tinha visto a notícia no The New York Times", diz Parente.
Segundo a Polícia Civil, as obras de Matisse furtadas foram encontradas íntegras. A estimativa é a de que elas valham até R$ 1 milhão.
Um comerciante foi preso em flagrante sob suspeita de receptação. No entanto, a polícia aponta Laéssio Rodrigues de Oliveira, 53, conhecido como um dos maiores ladrões de obras de arte e livros raros do país, como mandante do roubo. Ele já foi preso 11 vezes por planejar e realizar furtos de obras de arte e documentos históricos.
O crime ocorreu em 7 de dezembro. Dois homens armados invadiram a biblioteca, renderam uma funcionária e levaram as gravuras de Matisse, além de cinco obras de Candido Portinari, que ainda não foram recuperadas.
A série Jazz é considerada uma das obras mais conhecidas da produção de Matisse. O álbum teve tiragem de 250 exemplares numerados e reúne 20 imagens feitas a partir de recortes de papéis pintados com guache.
Matisse desenvolveu a técnica durante um período em que enfrentava limitações físicas após uma cirurgia. O artista passou a trabalhar com tesoura e papéis coloridos e chamou o método de "desenhar com a tesoura", como Matisse definiu.
A edição que pertence à Biblioteca Mário de Andrade tem uma história anterior de furto.
O álbum original havia sido levado do acervo em data não identificada e foi localizado em 2006 na Argentina, em um lote de livros raros que teria sido retirado ilegalmente de instituições brasileiras. A biblioteca chegou a manter uma versão falsa da obra por anos, até que uma perícia identificou a troca. O exemplar original só voltou a São Paulo em 2015.
Para a atual mostra, a diretora da biblioteca, Luiza Thesin, afirmou que todo o protocolo de segurança da unidade foi revisto após o furto.
"Todos os funcionários da segurança patrimonial passaram por um novo treinamento. Também estreitamos as relações com a GCM. Dois agentes farão rondas periódicas na biblioteca", explicou.

