Os incêndios florestais que devastaram as vastas florestas tropicais da parte indonésia de Bornéu aumentaram a pressão sobre os orangotangos-de-Bornéu, espécie em perigo crítico de extinção, afirmou neste sábado a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Há semanas, a Indonésia combate incêndios em regiões de Bornéu e Sumatra, que espalham uma névoa sufocante pelas ilhas e pelos países vizinhos, Malásia e Singapura.

Atualmente, há incêndios em habitats que abrigam 52% da população de orangotangos de Bornéu, incluindo 13 das 20 maiores populações remanescentes, informou a organização.

"A exposição ao fogo e à fumaça impõe custos fisiológicos, comportamentais e ecológicos mensuráveis aos orangotangos que vivem em florestas de turfa", afirmou a rede de conservação.

Durante os períodos de névoa, os orangotangos apresentam sinais de perda de gordura, apesar de comerem e descansarem mais, o que indica uma maior demanda energética, provavelmente causada por um sistema imunológico obrigado a trabalhar mais intensamente, segundo a organização.

Também foram registrados incêndios florestais nos habitats de cinco espécies de gibões em Sumatra e Bornéu, informou a rede de conservação.

"Os gibões respiram o mesmo ar carregado de fumaça que as pessoas que vivem ao lado deles, e há todos os motivos para acreditar que sofram danos respiratórios semelhantes, além da perda de habitat e da perturbação dos comportamentos que mantêm viáveis as populações selvagens".

Até terça-feira (22), a Indonésia havia resgatado cem animais, incluindo 53 orangotangos, ameaçados pelos incêndios, segundo um porta-voz do Ministério das Florestas.

Ambientalistas pedem que as autoridades vão além da resposta imediata e implementem medidas de prevenção.

"A resposta emergencial deve ser acompanhada de investimentos contínuos na prevenção de futuros incêndios", afirmou Ronna Saab, do Fórum de Conservação de Orangotangos da Indonésia (FORINA), em comunicado.

Essas medidas incluem "proteger e reumedecer as turfeiras, enfrentar a drenagem e o desmatamento e garantir que as florestas queimadas sejam protegidas contra futuras conversões de uso e devidamente restauradas", disse Ronna.

O governo indonésio informou que mais de 202 mil hectares de terras foram queimados em todo o país entre janeiro e julho, segundo os dados mais recentes disponíveis.

O projeto Nusantara Atlas estima um número mais próximo de 900 mil hectares entre janeiro e agosto.