A delegada da Polícia Civil de São Paulo Margarete Barreto foi a primeira a ser ouvida no julgamento da Batalha da Inajar de Souza, briga entre torcedores que terminou com dois palmeirenses mortos em 2012. Ela chamou o confronto de "batalha medieval".
O júri de dez torcedores do Corinthians teve início nesta segunda-feira (5) no fórum da Barra Funda, na zona oeste. Barreto foi a responsável pela investigação inicial da briga na avenida do bairro da Freguesia do Ó, zona norte, que marcou a violência entre torcidas no estado.
Todos os dez réus estavam presentes no plenário nesta segunda —eles negam o crime e a premeditação da briga. A quantidade era semelhante a de advogados de defesa presentes na sala.
Foram escolhidos sete jurados homens. Seis policiais militares acompanham de dentro do plenário o andamento do julgamento.
A delegada oor diversas vezes disse não se lembrar dos fatos devido ao tempo passado. Ela também afirmou não ter sido a responsável pela conclusão do inquérito, feito por um outro delegado.
Barreto confirmou que a morte de André Alves Lezo e Guilherme Vinicius Jovanelli seria uma retaliação pelo homicídio em agosto de 2011 do corintiano Douglas Karin Silva. Segundo ela, teria havido envolvimento direto de um dos irmãos de Lezo.
"Não existia mocinho e bandidos", ao dizer que os Gaviões da Fiel e a Mancha Alvi Verde tinham conhecimento que uma briga poderia ocorrer a qualquer momento.
Barreto entrou em embate com advogados dos réus em alguns momentos, principalmente quando a questionaram sobre ter lançado uma candidatura a vereadora no mesmo ano das mortes investigadas por ela.
"Eu mesmo fui ameaçada várias vezes", disse a delegada sobre integrantes de ambas as torcidas.
A delegada classificou as lesões na cabeça de André Lezo como "a coisa mais impressionante na minha carreira". "Foi algo muito agressivo." Ela não soube explicar o que cada réu fez, mas disse que "todos colaboraram para o resultado". "A organização do ato ficou muito comprovado."
Devido a grande quantidade de advogados, a juíza faz a chamada pelo nome do réu para a eventualidade de questionamento por parte deles às testemunhas.
O depoimento de Margarete durou uma hora. Na sequência, foi ouvido o dono de uma empresa de ônibus que alugou um dos veículos na data da briga. Ele relatou que as avarias no coletivo foram pagas pelos Gaviões da Fiel. O interrogatório dele foi breve. Logo depois foi ouvido um policial militar que escoltava os torcedores palmeirenses pouco antes da confusão.
A expectativa é que o júri siga até a sexta-feira (9). Há uma lista de testemunhas de acusação e defesa a serem ouvidas. Terminada essa fase, o Ministério Público e a defesa apresentam aos jurados os argumentos para condenação e absolvição, respectivamente. Os integrantes do júri tomam uma decisão final, por maioria e em segredo. O resultado é comunicado em seguida aos réus.

