O governo do presidente americano, Donald Trump, eliminou, nesta segunda-feira (14), os limites impostos às emissões de dióxido de carbono (CO2) de termelétricas a carvão e gás. A medida é o mais recente desmonte das regulamentações destinadas a frear a mudança climática.

"O governo de Trump chegou para proteger a energia americana e garantir que vocês possam se permitir manter a luz acesa", declarou, em um comunicado, Lee Zeldin, que chefia a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês).

Os limites às emissões tinham sido criados pelo ex-presidente Joe Biden. A gestão Trump, no entanto, defende que a política climática dos Estados Unidos tem prejudicado a produção de energia. A decisão da EPA também impede futuras regulamentações voltadas ao clima no setor.

Grupos ambientalistas criticaram duramente a decisão, afirmando que ela acarretará enormes danos ao meio ambiente e à saúde pública. O setor elétrico responde por quase um quarto da poluição por gases de efeito estufa nos Estados Unidos.

"Negar a existência de um quarto da poluição climática do país é uma irresponsabilidade absoluta", afirmou Maggie Coulter, advogada do Instituto de Direito Climático do Centro para a Diversidade Biológica.

"Isso causará mais mortes e sofrimento decorrentes de ondas de calor intensas, tempestades violentas e incêndios florestais devastadores, como os que vimos neste verão", acrescentou ela.

O anúncio foi feito paralelamente a uma reunião de ministros de Energia do G20 nesta semana, em Houston, no estado do Texas. Autoridades de diversos países discutirão segurança energética, expansão da geração de energia e "eficiência regulatória".

Zeldin afirmou que impedir futuras limitações às emissões de gases de efeito estufa pelo setor elétrico permitirá aos EUA atender à disparada da demanda por eletricidade.

"Os americanos vêm exigindo mais bom senso dos órgãos federais sob a liderança do presidente Trump", disse ele. "Isso significa reduzir a burocracia para que possamos construir uma nova infraestrutura de geração de energia."

Retrocesso climático

Em junho do ano passado, o governo Trump apresentou uma proposta para revogar regras elaboradas durante o governo Biden com o objetivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono, mercúrio e outros poluentes atmosféricos provenientes de usinas de energia.

As regras de Biden teriam reduzido as emissões de gases de efeito estufa em 1 bilhão de toneladas até 2047. As normas faziam parte do pacote de medidas aprovado em seu governo de combate à crise climática.

O texto exigia que usinas termelétricas a carvão e novas unidades geradoras movidas a gás natural instalassem, na próxima década, equipamentos para capturar as emissões antes que chegassem à atmosfera. Como essa tecnologia é custosa, a exigência tornava mais atraentes alternativas de emissão zero, como as energias solar e eólica.

O subsecretário de Energia do governo Trump, Kyle Haustveit, disse que as novas regras impulsionariam a geração de eletricidade a carvão, que vinha diminuindo nos Estados Unidos devido à disponibilidade de gás natural a preços mais baixos e energias renováveis.

"O presidente Trump pôs fim à guerra contra o carvão belo e limpo", disse ele, repetindo os adjetivos usados pelo mandatário. "O carvão é confiável, acessível e seguro."

A queima de carvão mineral é a forma mais poluente de geração de energia. Esse combustível fóssil é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta, e sua eliminação gradual é crucial para controlar as mudanças climáticas.