Uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil apreendeu R$ 155 mil e cerca de U$ 10 mil (R$ 50,7 mil) com um carcereiro suspeito de ajudar com regalias o ex-vereador Milton Leite (União), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Dois celulares foram encontrados na cela do político.
Leite foi preso no âmbito da operação Vectura Corrupta, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da capital paulista, deflagrada em setembro. Ele nega qualquer crime.
A operação Custódia (In)Fiel, desta sexta-feira (16), foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Civil.
Também foram realizadas buscas no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em uma residência na cidade. O carcereiro não foi identificado. A reportagem procurou por mensagem o advogado que representa o político, mas não houve resposta à pergunta feita na noite desta sexta.
Em nota, o MP afirma que a atual investigação "apura suposto tratamento privilegiado concedido a presos provisórios detidos naquela unidade prisional".
"Segundo os elementos reunidos, haveria um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar, completamente destoante das suas condições de custodiados, entre outras regalias incompatíveis com o cárcere", disse o órgão.
Segundo a Promotoria, os fatos podem configurar os crimes de corrupção passiva e ativa, além de prevaricação.
Em nota, a Polícia Civil, que gere a unidade, disse que "reafirma seu compromisso com a transparência, legalidade, integridade e a correta apuração dos fatos". "Caso irregularidades sejam constatadas, as medidas cabíveis serão adotadas."
Investigação no transporte público
Os investigadores da Vectura Corrupta dizem que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus da capital paulista e cujo contrato foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por suspeitas de envolvimento com o PCC.
O pedido contra o ex-vereador se baseou em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros. O nome dele aparece em um áudio encontrado em aparelho celular apreendido e nos depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar.
Ao todo 16 pessoas foram alvos de mandados de prisão em decisão de setembro que autorizou buscas em 18 endereços nos municípios de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Os mandados foram expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
A investigação, como mostrou a Folha, mirava todas as concessionárias à frente das linhas de distribuição, voltadas ao atendimento nos bairros da capital paulista.




