Moradores da região do Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, estão enfrentando uma nova enchente nas ruas do bairro desde a última sexta-feira (11). Desde sábado, parte dos 45 mil moradores da região estão se virando com as ruas debaixo d'água.

O bairro cresceu ao lado da várzea do rio Tietê, tornando-se um ponto recorrente de alagamentos na capital paulista. Ali, quando o rio transborda, ruas e casas costumam alagadas por dias ou até semanas.

Nos últimos dias, a chuva forte causou o transbordamento do rio em quatro pontos na Grande São Paulo. A Defesa Civil e a agência SP Águas afirmam que estão monitorando os locais.

Em nota à Folha, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que está realizando uma série de ações na região no âmbito do projeto "Recupera Pantanal", que está removendo famílias de áreas de risco no bairro.

"A prefeitura informa que já removeu 789 famílias de áreas de risco desde dezembro de 2025 pelo Plano Recupera Pantanal. Desse total, 519 recebem auxílio-aluguel e 270 foram indenizados", afirmou.

"Paralelamente, a Secretaria de Habitação está em fase final de conclusão do edital para aquisição de 1.000 unidades habitacionais, destinadas às famílias removidas, que optaram por atendimento habitacional", disse.

Não é a primeira vez que a dona de casa Maria Cristina Francisco, 63, enfrenta essa situação. "No ano passado eu perdi tudo. A água vem como uma onda", conta.

No sábado, ela conseguiu fugir de sua casa no Pantanal em um bote do Corpo de Bombeiros. "A água invadiu a rua às 4h. Não tinha como sair. Até ontem não tinha entrado na minha casa, mas ela está subindo."

A manicure Marcia Pinheiro, 51, está há três dias sem conseguir sair de casa por conta do alagamento em frente ao imóvel.

"Estou presa com meu neto de dois anos. A rua está cheia de água, impossível de sair. Não estamos recebendo nenhum auxílio. Não tenho dinheiro nem para comprar fralda para o meu neto", diz.

"É a primeira vez que alaga no mês de setembro", diz a dona de casa Rose Cléa Pereira, 52. "No ano passado, perdi praticamente tudo, mas tivemos auxílio da prefeitura. Dessa vez ainda não apareceu ninguém."

Dessa vez, o rio Tietê extravasou em dois pontos do extremo leste da cidade, na região do Jardim Pantanal. No Jardim Helena, o nível do Tietê chegou a 729,8 m (0,71 m acima da cota) às 8h de domingo (13). Em Itaim Biacica, o rio subiu 0,91 m acima da cota e marcou 731,4 m.

Segundo a Defesa Civil, a tendência é de redução gradual do volume de água.

Em nota, a prefeitura afirmou que o Plano Recupera Pantanal prevê, até 2029, a remoção de 4.344 imóveis no território, com investimento total de R$ 700 milhões. De total, R$ 59,8 milhões estão sendo investidos em obras de microdrenagem e pavimentação, com a construção de 9 km de novas galerias.

"Também estão em construção um muro de gabião em aproximadamente 845 metros das margens do rio para evitar novas ocupações em áreas de proteção ambiental e facilitar o monitoramento e a fiscalização", disse a gestão municipal.

Em nota à Folha, a Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, afirmou que está apoiando as ações de drenagem da água no Jardim Pantanal "por meio do empréstimo de equipamentos de bombeamento para auxiliar na retirada da água das áreas alagadas."

A empresa afirma que equipes operacionais "permanecem mobilizadas e de prontidão para atuar em caso de ocorrências relacionadas aos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que operam normalmente".

Como resposta aos temporais que atingiram o estado nos últimos dias, a Defesa Civil paulista passou a considerar antecipar o início de sua operação de combate aos efeitos da chuva. A medida é uma resposta aos temporais que atingiram o estado de São Paulo nos últimos dias.

O volume acumulado de água registrado de sexta (11) até esta segunda (14) fugiu aos padrões esperados para o período, segundo a avaliação do órgão.

"Tudo indica que temos um adiantamento. Chuvas que deveriam começar em novembro ou dezembro estão vindo agora", disse à Folha na tarde desta segunda o capitão da PM de São Paulo Maxwel Souza, diretor de Comunicação da Defesa Civil.

A Operação Chuvas integra o programa SP Sempre Alerta e faz monitoramento contínuo das condições meteorológicas no estado para reduzir riscos e impactos de chuvas, alagamentos ou deslizamentos.

Ela começa oficialmente em 1º de dezembro e vai até o fim do verão, em meados de março —tradicionalmente o período que registra a maior quantidade de chuvas no estado.