Uma comitiva do governo federal chegou neste domingo (18) a Manaus para avaliar a situação dos incêndios florestais no Amazonas e anunciar o apoio das Forças Armadas nos combates.

Quatro ministros integram a comitiva: João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington César Lima e Silva (Justiça e da Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e do Desenvolvimento Regional).

Em breve fala à imprensa logo que chegaram à cidade, eles prometeram "aporte de recursos muito maior" ao governo estadual, além de mais cinco aeronaves. Atualmente, 11 estão em operação. São sete aviões Air Tractor, um avião KC-390 e três helicópteros.

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) contabiliza mais de 300 incêndios extintos desde o início da temporada, em junho, mas não informou quantos focos seguem ativos neste domingo.

Também será instalada, na próxima terça-feira (20), uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus. A capital do Amazonas está coberta por fumaça.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a qualidade do ar "atingiu níveis alarmantes e respirar se tornou uma preocupação para a população".

A Defesa Civil local informou neste sábado (17) que a qualidade do ar estava "péssima", na classificação definida por resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Às 6h30 de sábado, a concentração média de partículas finas chegou a 401,4 µg/m³ (micrograma por metro cúbico), conforme dados de sensores de monitoramento.

Neste domingo, a Defesa Civil informou que a qualidade do ar passou de "péssima" para "muito ruim", considerando um índice de 83,4 µg/m³. Uma qualidade de ar considerada boa vai de 0 a 25 µg/m³.

A fumaça também atrapalha o voo das próprias aeronaves que atuam no combate aos incêndios. Neste sábado, as condições de visibilidade impediram as operações nos dois aeroportos utilizados em Manaus, segundo o Ibama.

As aeronaves que operam sob regras de voo visual (VFR, na sigla em inglês) estão sujeitas a requisitos mínimos de visibilidade por razões de segurança dos pilotos, explicou o Ibama em nota.

O número de focos de incêndios no Amazonas mais do que dobrou neste ano, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O estado teve 7.815 focos de 1º de janeiro a 12 de outubro, aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2025.

Há uma semana, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas afetadas pelas queimadas no Amazonas e afirmou que a presença de focos no meio da mata indica a ocorrência de incêndios criminosos.

"Diferentemente dos incêndios que começam em pastagens e se propagam para a vegetação florestal, os focos observados diretamente no interior da floresta indicam a possibilidade de uso intencional do fogo para degradar a vegetação e favorecer o desmatamento posterior", afirmou nota do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima).

A pasta acrescenta que "as circunstâncias desses incêndios e a eventual identificação dos responsáveis estão sujeitas à investigação pelos órgãos competentes".

A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal do Amazonas neste domingo, mas não teve resposta.