O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) e o Instituto de Engenharia indicaram especialistas para auxiliar nas análises técnicas do prédio que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, na madrugada de 12 de setembro. Seis pessoas morreram no acidente.

Os nomes foram apresentados ao controlador-geral do Município, Daniel Falcão, em reunião realizada na segunda-feira (15). O encontro contou com representantes das três entidades e da Controladoria-Geral do Município.

O SindusCon-SP indicou Ricardo Kerr, diretor da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural, e os especialistas Cláudio Creazzo Puga e Fabiana Mamede para a análise da alvenaria estrutural. Para a área de fundações, foram indicados Frederico Fernando Falconi e Sussumu Niyama.

As três entidades afirmaram, em manifestação conjunta, que lamentam o acidente e que pretendem manter a atuação para evitar novos casos. A perícia no imóvel deverá ser realizada após o encerramento das buscas e da retirada dos escombros.

A New Home, responsável pelo empreendimento, é alvo de investigação criminal. Um dos suspeitos, apontado pelos investigadores como sócio oculto da empresa, foi preso. O responsável técnico pela obra e a sócia-administradora estão foragidos, segundo a polícia.

O edifício, na rua Tequici, havia sido alvo de embargos e multas da prefeitura. A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que a obra começou em 2019 sem alvará e continuou mesmo após fiscalizações e autuações.

Em 2021, a prefeitura entrou na Justiça para pedir a suspensão dos trabalhos. Um novo projeto foi apresentado pela construtora em 2022 e recebeu alvará em 2023, mas com a exigência de que a estrutura existente fosse demolida.

Uma servidora da Subprefeitura da Penha atestou, em 2024, que a demolição havia sido realizada. Após o desabamento, porém, técnicos municipais afirmaram ter constatado, com base em vistoria no local, relatos de vizinhos e imagens de satélite, que a demolição não havia ocorrido.

A servidora foi afastada e é investigada pela Controladoria-Geral do Município. A Polícia Civil também apura o caso.

A defesa dos investigados afirmou que a preocupação, neste momento, é com os familiares das vítimas. O advogado que representa os dois foragidos disse que eles pretendem se entregar. Ele também defendeu a regularidade da obra e afirmou que seria prematuro apontar as causas do desabamento.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS