O empresário Ivo Vel Kos, 48, réu sob acusação de agredir e ameaçar a ex-mulher, deixou a Penitenciária de Potim II (a 158 km de SP) na quarta-feira (21), após a Justiça revogar sua prisão preventiva.

A soltura ocorreu após um acordo entre o empresário e a dentista Giulia Falcão, 27, segundo os advogados do réu, Michel Kusminski e Alberto Zacharias Toron.

À Folha a defesa afirmou que a dentista teria declarado não ter mais receio do ex-marido, o que levou a magistrada a considerar a prisão desnecessária. O acordo incluiu o divórcio e o pagamento de pensão à vítima. Giulia disse à reportagem que não se manifestaria sobre o assunto.

Conforme os defensores, Kos usará tornozeleira eletrônica, manterá distância da ex-mulher e cumprirá as medidas cautelares.

Os advogados afirmaram que a soltura foi determinada pela juíza Carla Balestreri, da Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher —a mesma magistrada que havia mantido a preventiva em agosto ao aceitar a denúncia do Ministério Público.

Kos foi preso em flagrante na madrugada de 15 de agosto, em Pinheiros, na zona oeste da capital. A vítima relatou à polícia ter recebido socos no rosto e no corpo dentro do carro, ao retornar de um jantar. Câmeras de segurança registraram o empresário agredindo a mulher na calçada e conduzindo-a para o imóvel com o auxílio de outro homem.

Segundo o relato da dentista, as agressões continuaram na residência com o uso de um taco de beisebol e ameaças com um dispositivo de choque. Ela afirmou ainda que Kos tomou seu celular e ameaçou matá-la caso saísse do local.

Em depoimento após o flagrante, Kos negou as agressões no carro e disse ter sido atacado pela mulher durante a discussão. Ele admitiu ter dado um soco na vítima na rua, mas negou o uso do taco e do dispositivo elétrico.

Em 18 de agosto, a Justiça tornou o empresário réu por lesão corporal e ameaça, negou a conversão para prisão domiciliar e determinou medidas protetivas com distância mínima de 300 metros da vítima.

Na ocasião, a defesa de Giulia sustentou que o caso deveria ser apurado como tentativa de feminicídio.