A gratidão a Nossa Senhora Aparecida levou duas mulheres a dedicarem o domingo (11) ao cuidado de quem caminha pela rodovia Presidente Dutra, em São Paulo, até o santuário. Uma delas passou a distribuir água após a filha enfrentar um problema cardíaco; a outra engajou-se no apoio voluntário depois de receber o diagnóstico de um câncer de mama.
Elas estavam na estrutura montada na Dutra por Viviane Aparecida Moreno Katsuda, 53, onde dividiram alimentos, orações e memórias de medo, tratamento e fé com os peregrinos.
A iniciativa de Viviane começou em 2017, quando a filha Pamela enfrentou um problema no coração. Na ocasião, ela e o marido decidiram entregar água aos romeiros na estrada, como forma de demonstrar fé na santa.
A ação cresceu, atraiu outros devotos e hoje reúne 36 voluntários de Mogi das Cruzes (SP), mantidos por doações de feirantes e amigos.
Pamela tem agora 22 anos, e a mãe afirma que ela está curada. "Foi Nossa Senhora que curou a minha filha", diz Viviane. Ela afirma também que a jovem superou episódios de AVC.
O agradecimento familiar consolidou-se às margens da rodovia. O ponto de distribuição de água se transformou em um ponto de acolhimento que oferece ovos cozidos, niguiri, frutas, chá, café e doces aos romeiros. Enquanto alguns peregrinos paravam para comer, descansar, receber massagem ou fazer curativos nos pés, outros apenas pegavam mantimentos e seguiam viagem.
Diante de um altar com a imagem da padroeira, devotos se ajoelhavam e escreviam nomes de entes queridos em um caderno de intenções. O fluxo contínuo reunia famílias, romeiros solitários e grupos formados ao longo da caminhada.
Foi nesse ambiente que a fisioterapeuta Andréia Lourenço, 54, de São Bernardo do Campo, encontrou espaço para seu próprio relato de gratidão. Há três anos, logo após concluir a faculdade, ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama bilateral com metástases ósseas na coluna e no quadril.
"Achei que não veria minha filha entrar para a faculdade", diz a fisioterapeuta, lembrando do medo dos primeiros anos de tratamento.
Logo após a descoberta da doença, Andréia viajou a Aparecida para pedir pela saúde. Agora, relata que três exames consecutivos não detectaram sinais da doença.
"Este ano eu revivi, com a graça de Nossa Senhora, da minha família e dos médicos. Estou em remissão", diz ela, que retomou os planos profissionais.
A fisioterapeuta integra desde o ano passado o grupo de apoio na barraca de Viviane. Ela afirma que pretende usar sua formação técnica para atender os romeiros nas próximas edições.
Após o trabalho de apoio neste domingo, Andréia seguiu para Aparecida, onde passará a noite. O marido, que estava no Rio de Janeiro a trabalho, vai encontrá-la no santuário nesta segunda-feira (12), Dia da Padroeira. "É só agradecer. Amanhã tenho que estar lá."
POLICIAMENTO REFORÇADO
O policiamento será reforçado em Aparecida, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública). Entre o sábado (10) e esta segunda-feira a cidade deve receber cerca 660 policiais militares.
Tanto a Polícia Militar como a PRF (Polícia Rodoviária Federal) deverão usar helicópteros na segurança dos romeiros.
Em 2025, quase 500 mil fiéis foram ao santuário entre os dias 1º e 12 de outubro, sendo 152 mil apenas no dia de Nossa Senhora.
A concessionária RioSP e a PRF estimam que o número de peregrinos que seguem a pé até Aparecida pela rodovia Presidente Dutra ultrapasse 40 mil pessoas.



