A busca por estudar no exterior está começando mais cedo entre estudantes. Na edição do primeiro semestre do Salão do Estudante, o público do ensino médio chegou a 46,2% dos visitantes, praticamente empatado com o de nível superior, que ficou em 47,9%. Em 2024, os estudantes de nível superior eram 54,6% do público.

Priscilla Gomes, diretora de eventos do Salão do Estudante, afirma que a antecipação acompanha uma mudança na forma como as famílias enxergam a educação no exterior. "As pessoas estão percebendo que fazer uma educação lá fora não é mais uma opção, mas é uma necessidade. Investir em educação é uma das poucas coisas que é para a vida."

Para quem ainda está no ensino médio, começar cedo a procura não significa escolher rapidamente um país ou uma universidade. O primeiro passo é entender o que cada instituição exige para a candidatura.

Entre as perguntas estão quais notas e documentos serão necessários, se há exigência de cartas de indicação, quais são os prazos e como funciona o visto. A antecedência também ajuda a família a evitar decisões tomadas apenas pela empolgação de conhecer um destino.

Para a diretora, a participação da família no processo de escolha ajuda a colocar em prática um projeto que pode começar como um sonho. "Os visitantes mais sérios são aqueles que estão com o pai e a mãe", conta Priscilla. Segundo ela, os responsáveis costumam perguntar "qual é a burocracia?" e "qual é o visto que você tem?".

Segundo dados do Salão do Estudante, os Estados Unidos continuam como o destino mais procurado, mas a busca caiu de 42,7% no fim de 2025 para 30,4% no primeiro semestre de 2026. O Canadá também recuou de 34,3% para 27,6%. A queda na procura dos países da América do Norte não significa que o interesse dos brasileiros desapareceu.

Segundo Priscilla, os Estados Unidos ainda reúnem uma grande oferta, mas o cenário migratório e as dificuldades para obtenção de vistos fizeram com que parte dos estudantes olhasse para alternativas. A diretora do evento afirma que a edição deste ano terá cerca de oito instituições americanas em São Paulo, contra 20, 25 ou até 30 em edições anteriores.

"Os Estados Unidos e o Canadá ainda têm essa vontade, mas, como eles estão percebendo que está dificultando, os outros países falaram: ‘Opa, aqui, eu estou aqui, pode vir’. Temos Irlanda, Malta e Reino Unido, além de Austrália e Nova Zelândia. Então existem essas ofertas de países de língua inglesa", afirma Priscilla.

Enquanto isso, outros países passaram a disputar a atenção dos brasileiros. A Europa aparece como principal grupo, com Portugal com 20% de procura e a Espanha com 17,1%. Além desses países, a feira terá representantes da Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Malta, Holanda, Romênia, Reino Unido, Áustria e República Tcheca.

Os países da Ásia também ampliaram a presença na feira, com instituições da China, Macau, Malásia e Singapura. Ao todo, o evento reúne representantes de 18 países e territórios.

Segundo Priscilla, Europa e Ásia oferecem cursos em inglês, como tecnologia e economia. O levantamento aponta programas de idiomas na liderança, com 47,6%, seguidos por computação (15,8%) e saúde (14,5%).

Segundo a diretora, a oferta também se estende a países europeus como Hungria, República Tcheca e Romênia, que têm cursos ministrados em inglês. "Tem muitos cursos aqui de tecnologia, tem muitos cursos de economia, e muitos desses cursos, para não dizer todos, são ministrados em inglês."

Neste segundo semestre, o Salão do Estudante será realizado em São Paulo, nos dias 17 e 18 de outubro, e também no Rio de Janeiro, em 20 e 22 de outubro. A entrada é gratuita e o cadastro deve ser feito pelo site do evento.

Em São Paulo, a feira acontecerá no Centro de Convenções Frei Caneca, na Bela Vista. A edição reúne 36 instituições, agências e órgãos oficiais, com representantes de 18 países e territórios, e a expectativa é receber cerca de 10 mil pessoas.

No Rio de Janeiro, o Salão ocorrerá em dois locais diferentes. No dia 20 de outubro, será no hotel Windsor Barra, na Barra da Tijuca, na zona sudoeste. E, no dia 22 de outubro, será no hotel Sheraton Grand Rio, no bairro do Leblon, na zona sul da cidade. As duas feiras contarão com sete representantes de instituições e países, além de agências e órgãos oficiais.

Além dos representantes das universidades, o evento terá palestras sobre vistos, documentação, notas e processos de admissão. Algumas instituições também levarão ex-alunos para conversar sobre a experiência de estudar fora.