A última vez na história em que os industriais aplaudiram de pé o extremismo fascistoide não deu muito certo para a humanidade.

Em 31 de agosto, Gustavo Villatoro, titular de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, foi aplaudido de pé em discurso na Fiesp. Tendo como anfitrião o presidente da federação, Paulo Skaf, por ocasião de um seminário sobre segurança pública (sic), o ministro apresentou o que tem sido denominado de Modelo Bukele, seguindo o nome do presidente salvadorenho. Chamar de modelo põe ar de rigor legal onde não há.

Não se deve subestimar, no entanto, o poder eleitoral de vender como modelo os feitos de uma nação que, inteira, tem a população da cidade do Rio de Janeiro. O que é o Modelo Bukele, exatamente? Prisões em massa sem mandado judicial, baseadas em tatuagens e denúncias anônimas; estado de exceção prorrogado por mais de 50 vezes; julgamentos coletivos; perseguição a opositores do governo; torturas; desaparecimentos.

O que Skaf e cia. não contam é que o tal modelo, além de ilegal, não funcionaria no Brasil.

PCC e Comando Vermelho já estão presentes em praticamente todos os presídios do país e espalhados territorialmente, não podendo, portanto, ser simplesmente trancafiados, como num passe de mágica. E vagas em presídios federais de segurança máxima não faltam (são 43% essas vagas). O Brasil, na verdade, não prende pouco; prende muito, porém mal. Prende o pequeno traficante e o usuário e deixa soltos os grandes líderes do crime. Prendê-los exigiria investigar mais e melhor e seguir o dinheiro, coisas que dão muito trabalho e são pouco sexy.

No evento estavam Sergio Moro, que propôs excludente de ilicitude para a polícia matar mais; Guilherme Derrite, que propôs mudança na terminologia da lei penal e mais chacinas como solução para o crime; a campanha de Flávio Bolsonaro, aquele que tem laços históricos com milicianos no Rio de Janeiro.

O modelo Bukele-Fiesp serve apenas para a foto eleitoral. Não menciona os jornalistas perseguidos e os cassetetes enfiados nas partes íntimas dos presos.