O Corpo de Bombeiros encontrou a sexta vítima do desabamento de um prédio em cima de casas no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.
Segundo Robson Mitsu, comandante do 3º grupamento do Corpo de Bombeiros, a última vítima é uma criança.
Com isso, sobe para seis o número de mortos no desabamento, ocorrido na madrugada de sábado (12).
O corpo ainda não foi retirado pelos bombeiros, o que deve acontecer ainda neste domingo.
O comandante disse que, após a retirada do corpo, os bombeiros farão nova vistoria no local para checar se há outras vítimas ou desaparecidos sob os escombros.
A edificação de 11 pavimentos ruiu por volta das 2h de sábado na rua Tequici. Os escombros atingiram uma residência vizinha, em que moravam nove pessoas. Além de residência, o imóvel também abrigava a oficina de costura em que eles trabalhavam.
O corpo de um homem foi retirado dos entulhos por volta das 23h. Segundos os bombeiros, outras duas vítimas foram localizadas sem vida e uma segue desaparecida. A operação de resgate dura mais de 21 horas.
Mais cedo, duas mulheres, sendo uma delas grávida, já haviam sido encontradas sem vida. Os nomes das vítimas não foram divulgados. Um homem e uma menina de 7 anos foram resgatados com vida.
Prefeitura afirma que obra é irregular
A polícia cumpriu na manhã deste domingo a prisão temporária de um dos sócio-proprietários da construtora New Home, responsável pela construção do edifício. Ele foi levado para o 24º Distrito Policial, onde prestará depoimento e ficará à disposição da Justiça.
Segundo o governo do estado, as diligências prosseguem para a execução de outros dois mandados de prisão temporária expedidos contra representantes da empresa.
Ainda no sábado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve no local e disse que a obra estava irregular.
Segundo ele, a construção começou em 2019 e foi interditada pela prefeitura. Como a construtora não interrompeu a obra, mesmo após diversas multas, Nunes diz que em 2021 a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para suspensão imediata dos trabalhos no local.
"Ressalto que a construção começou em 2019, sem alvará. Foram feitas várias fiscalizações pela prefeitura. Nessas fiscalizações, foi identificado um problema estrutural", disse o prefeito.
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e um alvará foi emitido em 2023, com a determinação de que a estrutura existente fosse demolida, explica a prefeitura.
Em 2024, vistoria feita por servidora da Subprefeitura da Penha atestou a demolição. Mas, segundo Nunes, técnicos da prefeitura verificaram neste sábado, junto a vizinhos e imagens de satélites, que a demolição não foi feita.
Daniel Falcão, controlador-geral do Município, afirmou que a servidora, que não teve o nome revelado, foi afastada por 30 dias.
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos junto com a Polícia Civil, junto com a delegada do 24ª Distrito Policial, para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", frisou.
Em nota, a New Home afirmou que realiza uma apuração interna para investigar o caso. "Não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora."
"A New Home Construtora não se exime de qualquer responsabilidade que eventualmente venha a ser apurada e lamenta profundamente o ocorrido. Neste momento, está prestando total amparo às famílias afetadas", diz trecho do comunicado.



