A modelo paulista Larissa Brito dos Santos, 25, foi encontrada morta dentro do carro do ex-namorado durante uma fiscalização alfandegária no sudeste da França, na segunda-feira (21). O homem foi preso.
Sem condições de pagar pelo traslado, a família tenta arrecadar dinheiro para trazer o corpo da jovem ao Brasil.
"Eu preciso enterrar minha filha", disse à Folha a mãe da modelo, Liliane Brito Nogueira. Segundo ela, uma funcionária do consulado do Brasil na França estimou o custo do traslado em R$ 112 mil. A família criou uma vaquinha online para custear a viagem.
"Eu não tenho condições financeiras de ir buscar o corpo da minha filha e trazer os pertences dela", disse Liliane.
Larissa morava em Nice havia três anos e trabalhava como modelo. O corpo foi encontrado em um veículo na rodovia A8, perto de Brignoles. "O consulado me informou que a autopsia vai ser na segunda-feira (28). O que sabemos é que ela foi esfaqueada, nada além disso", conta a mãe.
Ela disse que costumava falar com a filha todos os dias. Sem conseguir contato por mensagens ou ligações, registrou o desaparecimento dela em uma delegacia na zona norte de São Paulo na segunda-feira (14).
No registro policial, Liliane afirmou que procurou o ex-namorado de Larissa. Segundo ela, ele disse que a jovem não podia atender porque o carregador do celular havia molhado. Depois, afirmou que estava com ela a caminho de buscar outro carregador.
A mãe contou ter sido bloqueada dizer que comunicaria o desaparecimento às autoridades.
Liliane também ligou para o atual namorado da filha, David Amar, que foi ao apartamento da modelo, em Nice. Em depoimento à polícia francesa, ele disse ter encontrado o ex-namorado dela dentro do imóvel ao entrar com a ajuda de uma chave que estava sob a porta.
Amar relatou que o homem parecia estar nervoso. Ao ser perguntado sobre Larissa, respondeu que ela havia saído para encontrar o proprietário e pagar o aluguel —o proprietário, porém, disse a Amar que não tinha visto a jovem.
O atual namorado afirmou ter encontrado o apartamento com o chão, o sofá, a cama e outros móveis molhados. Disse também que a geladeira estava vazia e que não viu os pertences da modelo. Ao terminar de percorrer o imóvel, percebeu que o ex-namorado dela e uma sacola com objetos haviam desaparecido.
Amar contou à polícia ter telefonado para o homem usando um número fornecido por Liliane para pedir que ele voltasse e esclarecesse a situação. O ex-namorado respondeu que estava em um hotel próximo, mas se recusou a encontrá-lo.
Liliane afirma que Larissa namorou o suspeito por cerca de cinco meses, há aproximadamente dois anos e meio. Segundo a mãe, ele passou a persegui-la após o término. Ela disse que não o conheceu pessoalmente e que só havia encontrado o atual namorado da filha durante uma viagem à França no ano passado.
A mãe afirma ter recebido da polícia francesa a notícia da morte e que o consulado brasileiro a avisou que a autópsia está prevista para a próxima segunda-feira (28). Ela disse não ter recebido detalhes sobre a causa do óbito.
Em nota, o Itamaraty afirmou que mantém contato com autoridades locais e com a família e presta assistência consular.
O ministério ressaltou que não divulga detalhes do atendimento por respeito à privacidade. A mãe afirma ter sido comunicada pelo consulado de que terá de arcar com o traslado.
