Um homem condenado há 15 anos pela morte da própria esposa, num crime cometido em agosto de 2005, foi preso na última quinta-feira (15) em Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo. Ele ficou em liberdade na maior parte desse período com autorização da Justiça, após seus advogados apresentarem recursos que foram aceitos pelos tribunais.

Segundo o MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais), ele foi condenado por ser mandante do assassinato da esposa. A denúncia, apresentada à Justiça em 2007, apontou que ele havia contratado um criminoso por R$ 5.000, após suspeitar que a mulher o traía.

No dia 29 de agosto de 2005, o marido convidou a esposa para um passeio de bicicleta em um local deserto na área rural de Viçosa (MG). O matador contratado foi até o local e assassinou a vítima com quatro disparos à queima-roupa, simulando um assalto.

Um júri popular condenou o marido à pena de 17 anos e seis meses de prisão em outubro de 2011. O juiz responsável pelo caso permitiu que ele recorresse em liberdade.

A defesa dele recorreu da sentença no ano seguinte, e a segunda instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu uma redução de pena, para 14 anos e seis meses de prisão. A defesa recorreu novamente, ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), e o caso levou mais três anos até uma nova decisão.

Em março de 2016, após a condenação confirmada, o juíz da comarca de Viçosa determinou a prisão do homem condenado, e o mandado foi cumprido três dias após a emissão. Ele ficou menos de um mês detido.

Ele conseguiu habeas corpus e ele recebeu o direito de aguardar em liberdade o esgotamento dos recursos. O processo só teve reviravolta oito anos depois.

Em outubro de 2024, o MP-MG pediu novamente a prisão com base no julgamento de um tema de repercussão geral pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que estabeleceu a possibilidade de execução imediata das condenações impostas por tribunais de júri, independentemente da pena aplicada.

O homem condenado permaneceu dois anos foragido, portanto, no período de 15 anos desde a condenação em primeira instância.

Agora, com 46 anos, ele trabalhava como funcionário de uma comunidade terapêutica no centro de Embu-Guaçu, onde foi encontrado e preso. Ele foi detido em uma operação do MP-MG que contou com apoio das polícias militares de Minas e São Paulo.

Ele foi encaminhado ao anexo carcerário da Delegacia de Polícia de Itapecerica da Serra (SP) e deve ser transferido para um presídio em Minas Gerais.