A Polícia Civil apreendeu computadores, celulares e documentos nesta quinta-feira (24) em endereços ligados a investigados pelo desabamento de um prédio em construção na Penha, zona leste de São Paulo, que deixou seis mortos no último dia 12.
Batizada de Operação Ponto de Ruptura, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis na zona leste da capital e em Guarujá, na Baixada Santista. A Justiça havia expedido oito mandados.
Segundo a polícia, o material apreendido deve ajudar a identificar possíveis omissões de quem participou da construção, das vistorias e da autorização e liberação do imóvel sob responsabilidade da construtora New Home.
A polícia afirma que a construtora não cumpriu um alvará da prefeitura que previa a demolição do prédio para a construção de uma nova edificação no local.
Os três principais alvos, sócios da construtora ligada ao empreendimento, têm prisão temporária decretada. Um deles, Ronaldo Vivacqua, está preso. Conforme a polícia, ele seria um "sócio oculto" da New Home Construtora. Os outros dois, um casal em que o homem é filho do detido, seguem foragidos.
Adelmo Silva, advogado da empresa New Home e dos três investigados, afirma que uma decisão judicial autorizava as obras da edificação.
"Hoje foi mais uma etapa importante para o esclarecimento das circunstâncias que levaram ao desabamento. A partir dos elementos apreendidos e das diligências realizadas, vamos aprofundar a análise dos fatos e identificar as responsabilidades de cada envolvido, sempre com base nas provas reunidas durante a investigação", disse a delegada titular do 24º DP (Ponte Rasa), Deidiene Fialho Costa Éboli.
A polícia afirmou que pediu as prisões porque os investigados não se apresentaram espontaneamente, não se colocaram à disposição da investigação nem forneceram informações técnicas sobre a edificação. Segundo a corporação, também pesaram a possibilidade de fuga e de destruição de provas.
Uma servidora da Subprefeitura da Penha também é investigada. Segundo a polícia, ela atestou a demolição de parte do edifício, o que não ocorreu. Ela já prestou depoimento.
A CGM (Controladoria Geral do Município) de São Paulo disse ter embargado todas as obras em andamento na capital das empresas envolvidas no desabamento de um prédio.
Outra frente da investigação apura suspeitas de estelionato na venda de imóveis e terrenos pela mesma construtora. De acordo com os investigadores, mais de dez pessoas relataram prejuízos, e o 10º DP (Penha) abriu quatro inquéritos para apurar as denúncias.
A análise inicial indica que o homem preso teria atuado como sócio oculto nos negócios, com participação na compra e venda de imóveis e terrenos e poder de decisão. Os policiais também apuram o papel do responsável técnico pela obra na venda dos apartamentos, os valores envolvidos desde o início dos empreendimentos e os prejuízos relatados pelas vítimas.