A utilização de condução semiautônoma de trens gerou economia média de 8% no consumo de óleo diesel em corredores logísticos que ligam Tocantins ao Porto de Itaqui e que ligam o Espírito Santo ao porto de Santos.

A tecnologia, em utilização pela VLI nos últimos três anos —incluindo período de testes—, se soma a outras iniciativas já implementadas e estudadas em ferrovias com o objetivo de descarbonizar as operações, apresentando melhor eficiência energética com composições maiores, vias mais robustas e testes para uso futuro de etanol.

A condução semiautônoma dos trens começou a ser testada em 2023 na VLI. Por meio de um software, o maquinista pode habilitá-la quando a composição atinge velocidade superior a 8 quilômetros por hora.

Quando os testes foram iniciados, a operadora logística estimava registrar economia de 7% nos corredores leste e sudeste (Espírito Santo-Porto de Santos) e de 3,5% no corredor norte (Tocantins-Porto de Itaqui, pela Ferrovia Norte-Sul), mas o resultado superou as expectativas, conforme a empresa.

Utilizada em cerca de 60% das viagens entre maio de 2024 e julho, a tecnologia gerou economia de 4 milhões de litros de diesel nos trilhos.

A ferramenta, conforme a VLI, ajusta aceleração, frenagem e velocidade da composição após analisar a dinâmica da via e do trem e calcular o plano de condução otimizado.

Por meio de sua assessoria, o diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da VLI, Alessandro Gama, disse que a agenda de descarbonização é um fator de competitividade nas operações logísticas no país e que tecnologias como a empregada pela operadora "permitem potencializar os resultados positivos".

A VLI, que engloba a Norte-Sul e a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), além de terminais intermodais, afirma ter atingido, no ano passado, 12,5% de redução nas emissões de gases de efeito estufa provenientes do diesel de locomotivas, em comparação com 2020, e que a meta é chegar a 15% em 2030. A tecnologia semiautônoma evitou a emissão de mais de 9,3 mil toneladas de CO2 até julho, conforme a empresa.

Outras operadoras também têm adotado tecnologias para melhorar processos e ampliar a eficiência energética. A Vale, que opera a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas, informou ter reduzido o consumo de diesel em 11 milhões de litros no ano passado, volume suficiente para abastecer os tanques de 245 mil veículos.

O desempenho foi, segundo a empresa, o melhor em eficiência nos últimos dez anos, e a meta é zerar as emissões de CO2 em suas ferrovias até 2050.

Ela e a Wabtec Corporation, fabricante de locomotivas, estão desenvolvendo estudos sobre o uso de etanol nos trens entre Cariacica (ES) e Belo Horizonte.

Já a Rumo, maior operadora de ferrovias no país, afirma ter registrado melhoria de 3% em eficiência energética no ano passado em relação a 2024, o que representa a redução de 12 milhões de litros de diesel no consumo.

Entre as medidas que contribuíram com a descarbonização estão a adoção de trens de 135 vagões, em vez dos 120 utilizados até então. A capacidade da via para suportar vagões mais pesados também foi ampliada, de 126,6 para 130 toneladas por unidade, e cada composição passou a transportar mais de 17 mil toneladas, ante as 15 mil toneladas do trem menor e com menos peso.