O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia da Promotoria fluminense e tornou réu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias, acusado de associação para o tráfico de drogas.
Além dele, três ex-assessores que atuavam com o parlamentar na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) se tornaram réus, além de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, considerado uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
Um dos advogados de TH Joias vinculados ao processo, Rafael Faria, foi procurado por ligação e mensagem por volta das 17h45, mas não respondeu. O advogado Carlos Lube, que defende Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, um dos ex-assessores de TH, afirmou que só vai se manifestar após a lavratura do acórdão.
Halan Correa Gomes Euphrazio, advogado de Fernanda Ferreira Castro, outra ré, afirmou que "durante o decorrer do processo irá comprovar a inocência" da cliente. O advogado de Gabriel Dias de Oliveira não foi encontrado. O defensor público que representa Pezão não foi identificado.
A denúncia do Ministério Público aponta que TH Joias usou o cargo de deputado estadual para nomear como assessores parlamentares pessoas ligadas ao CV, incluindo Dias, considerado um tesoureiro da facção. Também teria intermediado a compra de armas e equipamentos antidrone.
Segundo a denúncia, Dias e a mulher, Fernanda Ferreira, ocuparam cargos na Alerj. Fernanda chegou a ser indicada à direção da Casa. Gabriel seria o responsável por guardar dinheiro da facção e fazer pagamentos, segundo a denúncia. Também seria responsável por armazenar drogas e fazer compra e venda de munições.
Luiz Eduardo teria sido o responsável por vender equipamentos antidrones, por ter testado os aparelhos e ensinado a maneira de usá-los.
À denúncia foram anexadas mensagens e fotografias que indicam a comercialização de um fuzil. Em abril de 2024, Gabriel recebeu fotos de uma arma e munição, em suposta negociação que seria resolvida na casa de TH Joias.
Também há mensagens que sugerem, segundo a denúncia, que TH Joias indicou comprador, ou fornecedor, para uma carga de cocaína em 2023.
No último dia 11, TH também se tornou réu no TRF2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). A decisão determinou a transferência do ex-deputado para uma penitenciária federal. A denúncia do Ministério Público Federal indica que o grupo mantinha uma organização estável, com integrantes infiltrados na Alerj e em secretarias estaduais, voltada ao comércio ilegal de armas trazidas do Paraguai para comunidades do Rio.
As denúncias que foram enviadas às Justiças estadual e federal não são as mesmas, apesar de similares. A estadual indica a compra e venda de armas e antidrones, além da nomeação de suspeitos de envolvimento com o CV. A federal aponta uma estrutura que facilitava o tráfico de armas, com uso de agentes públicos, incluindo policial federal.
As defesas chegaram a reclamar de litispendência, quando dois processos idênticos ocorrem ao mesmo tempo. O desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo rejeitou o argumento.




