O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu nesta quinta-feira (24) um alerta vermelho, de grande perigo, para a primeira onda de calor da primavera, que começou na terça (22).

O aviso vale de sábado (26) até quarta-feira (30), e deve atingir partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. O único estado que deve manter as altas temperaturas em todos os dias é São Paulo, uma vez que a onda vem do Paraguai e da Argentina em direção ao oceano, saindo justamente na costa paulista.

Uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima diária ultrapassa a máxima média mensal em 5°C ou mais durante cinco ou mais dias consecutivos, segundo os critérios do Inmet.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a máxima média no mês de setembro é 25,2°C, mas a previsão é que os termômetros marquem 32°C no domingo (27) e 33°C na terça (29).

As temperaturas poderão chegar a 41°C em Cuiabá (MT), cuja máxima média para o mês é 35,6°C, e a 40°C em Campo Grande (MS), onde a máxima média é 30,6°C.

Seis estados devem ser atingidos pelo fenômeno: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território; além do centro e do sul de Mato Grosso, incluindo a capital, Cuiabá; do centro, do sul e do oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital; e do sul e do sudeste de Minas Gerais, em áreas próximas aos municípios de Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.

Outras regiões também deverão registrar temperaturas elevadas nos próximos dias, mas não estão incluídas no aviso porque a previsão não atende simultaneamente aos critérios de intensidade e persistência usados para caracterizar o evento, afirma o instituto.

Segundo o Inmet, essas condições deverão ser observadas em partes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do sul de Rondônia, do sul de Goiás, do centro e do sul do Pará e em outras áreas de Mato Grosso. Em Brasília, a máxima poderá atingir 32°C no início da próxima semana.

As condições de calor acima da média deverão persistir até quarta-feira, quando a chegada de uma nova frente fria deverá mudar o padrão atmosférico e favorecer a redução das temperaturas.

O Inmet explica que essa onda de calor é provocada por dois fenômenos climáticos distintos.

O primeiro é um sistema de baixa pressão atmosférica, que modifica a circulação dos ventos na região. À medida que a baixa se intensifica, essa circulação favorece o transporte de ar quente das áreas mais ao norte em direção ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, o que contribui para a elevação rápida das temperaturas.

O outro fenômeno é uma circulação anticiclônica (no sentido anti-horário) dos ventos na alta troposfera, entre 5 km e 12 km acima da superfície, sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul.

"Essa circulação favorece o movimento descendente do ar, conhecido como subsidência: durante a descida, o ar é comprimido à medida que se aproxima da superfície e se aquece. O processo intensifica e mantém as altas temperaturas, sobretudo quando associado ao transporte de ar quente em baixos níveis", explica o Inmet.

O instituto diz que essa configuração de alta pressão persistente é conhecida como domo de calor. O termo descreve a permanência de uma massa de ar quente sobre determinada região, o que contribui para a persistência das temperaturas elevadas e dificulta a renovação da massa de ar.