Dois ataques a tiros com relatos de contexto político deixaram um policial civil morto e três pessoas feridas em Mato Grosso na noite de domingo (25), após o segundo turno. Os episódios ocorreram em cidades diferentes, e um vereador foi preso.
Em Campo Novo do Parecis, no noroeste do estado, a 400 km de Cuiabá, o investigador Emilson Ormond Souza, 56, estava em um bar quando um homem passou pelo local, fez uma pergunta sobre política e, após ouvir a resposta, atirou contra os frequentadores, informou a Polícia Civil. A corporação não detalhou o teor da conversa.
As pessoas tentaram se esconder, e o investigador tentou revidar, conforme o relato policial. Souza foi atingido no tórax e morreu. Outra pessoa ficou ferida no pé. O autor fugiu.A Polícia Civil informou ter identificado um suspeito de 59 anos e realiza buscas para prendê-lo.
Em General Carneiro, no leste do estado, a 442 km de Cuiabá, o vereador Marcos Aurélio Bento Pena (MDB), conhecido como Marco Aurélio Bombeiro, foi preso sob suspeita de atirar contra pessoas que comemoravam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Duas mulheres, de 20 e 24 anos, ficaram feridas.
Conforme o boletim de ocorrência, os disparos partiram da janela da residência do parlamentar em direção ao grupo reunido na lanchonete Bob Esponja, nos fundos do imóvel, às margens da BR-070.
A PM foi acionada por volta das 22h e negociou por 50 minutos até o vereador se entregar. Pessoas se aglomeraram em frente à residência e ameaçaram agredi-lo. Os policiais o algemaram e o colocaram na viatura para preservar sua integridade física.
Na unidade da PM, Pena admitiu ter efetuado os disparos, mas disse não saber qual arma havia utilizado e demonstrou preocupação com a possibilidade de ter ferido alguém, segundo o registro.
A Polícia Civil informou que uma das mulheres sofreu lesões na cabeça e no braço. A outra teve ferimentos leves no braço. A corporação não esclareceu se ambas foram atingidas por tiros.
Na residência, os policiais apreenderam a arma apontada como utilizada no ataque, outras duas armas e uma caixa de chumbinhos de calibre 5,5 milímetros.
Bombeiro militar da reserva, Pena foi encaminhado à Polícia Civil. O caso foi registrado como disparo de arma de fogo, lesão corporal e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. A motivação do ataque em General Carneiro ainda não foi esclarecida.
A reportagem não identificou a defesa do parlamentar. A Folha pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso informações sobre a realização de audiência de custódia e procurou o diretório estadual do MDB por ligações e mensagens, mas não obteve resposta até a publicação.



