O professor Augusto César Silva Almeida dividia suas noites entre duas paixões: observar o céu e escutar a banda canadense Rush.

Era comum usar seu telescópio para apontar estrelas no céu, assim como os planetas Vênus e Júpiter, em verdadeiras aulas públicas. Em casa, camisetas e discos de rock se misturavam à bateria que ele costumava tocar.

Aos poucos, aquelas sessões noturnas de astronomia se tornaram rotina do seu trabalho de divulgação científica na Ccteca (Casa de Ciência e Tecnologia da Cidade de Aracaju) Galileu Galilei.

Augusto nasceu em Japaratuba (SE) em 2 de dezembro de 1965. Começou a estudar física na Universidade Federal de Sergipe, mas depois da morte do pai entrou em depressão e pensou em desistir.

Foi a mãe, Maria José Melo Silva, 81, quem o convenceu a seguir em frente. Ele retomou os estudos e fez intercâmbio de seis meses na Alemanha durante a graduação.

Posteriormente, formou-se em pedagogia e encontrou sua vocação como professor. Foi contratado em escola estadual e depois aprovado em concurso para lecionar nas redes estadual e municipal.

Augusto conciliava a rotina de sala de aula com sessões públicas de observação e projetos de extensão voltados a escolas públicas com pouco acesso a telescópios e a equipamentos de laboratório.

As noites de observação aproximavam escolas e público e ajudavam a inserir a ciência no cotidiano de estudantes.

Por 17 anos, foi diretor e coordenador da Ccteca Galileu Galilei. Na Casa de Ciência organizava observações públicas, oficinas e atividades educativas para alunos e para a comunidade.

Fundou, ainda, a Sease (Sociedade de Estudos Astronômicos de Sergipe) e coordenava as reuniões do grupo. Nas sessões que conduzia, ajudava professores e estudantes a identificar corpos celestes e a entender o funcionamento do telescópio.

A dona de casa Elisângela Batista de Souza Almeida, 47, era uma estudante quando conheceu Augusto, seu então professor de física numa escola estadual. Ele era cabeludo, roqueiro e estiloso.

Mas eles só se aproximaram algum tempo depois, quando se reencontraram na rua.

Ele passou seu telefone e contato acabou levando a um reencontro que virou namoro. Depois, se casaram e permaneceram juntos por 12 anos.

"Começamos a conversar naquele primeiro encontro casual e não paramos mais. Eu também gostava de rock, foi como um encontro de almas", disse Elisângela.

A música sempre acompanhou a trajetória dele. Augusto tocou bateria em apresentações com a banda Pró-Álcool. Dizia se inspirar no lendário baterista do Rush, Neil Peart (1952-2020), para tocar o instrumento musical.

Augusto planejava assistir ao show da banda do coração em janeiro do ano que vem, em São Paulo. Não deu tempo. Ele morreu em 20 de agosto, aos 60 anos, vítima de infarto fulminante em sua casa. Sem filhos, ele deixa a mulher, a mãe, 4 irmãos e 5 sobrinhos.