O dia para Wilson Azevedo só começava depois de ler todas as seções do jornal: política, economia, cultura, cidades. Não tinha preferência por um caderno específico. Fazia questão de se informar sobre tudo e, então, fazia as palavras cruzadas.
Depois desse ritual, ele seguia o dia: tomava café, cuidava da casa e ia encontrar os filhos. Wilson foi assinante da Folha por mais de 60 anos.
"Ele acordava às 5h30 e fazia esse mesmo ritual todos os dias. Só ficava bravo quando o entregador atrasava a entrega do jornal, porque aí o resto da rotina toda seria impactado", lembra a nora Ana Lúcia de Medeiros Azevedo.
Wilson nasceu em 1929 em São José dos Campos (SP). Filho de um empreiteiro, ele se mudou ainda pequeno para Caçapava, quando o pai foi contratado para construir o mercado da pequena cidade.
Ainda adolescente, Wilson se mudou para São Paulo para cursar artes na Academia de Belas Artes. Para custear a faculdade, foi trabalhar na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Lá, conheceu e se apaixonou por Naná, com quem se casou, teve quatro filhos e compartilhou toda a vida.
Foi também durante a faculdade que Wilson descobriu sua vocação para a docência. Depois de se formar, foi dar aulas de artes e desenho geométrico na rede estadual paulista. Por mais de 40 anos, foi professor e diretor de escolas no interior de São Paulo.
Formado e casado, Wilson decidiu voltar para Caçapava para criar os filhos no interior. O casal adorava estar rodeado por família e amigos, por isso tinha sempre a casa cheia. Os dois também adoravam cozinhar e disputavam entre si quem fazia os melhores pratos.
"Ele fazia pizza, carnes exóticas. Quem ganhava com a disputa era a família, que sempre comia muito bem", lembra Ana Lúcia.
Wilson e Naná também adoravam ir ao cinema e ao teatro, além de passar tempo com os quatro filhos: Vera, Regina, Wilson e Rogério. Depois, quando vieram os cinco netos, multiplicaram a disposição para brincar com as crianças.
"Aos finais de semana, a casa deles ficava lotada de crianças. Como eles recebiam muito bem as pessoas, não eram só os netos que gostavam de ir para lá, mas também os filhos de outros parentes e amigos."
Em 2022, Wilson perdeu a mulher, com quem foi casado por mais de 50 anos. Os filhos e netos se aproximaram ainda mais dele para tentar aplacar a saudade e a solidão com a perda da companheira.
Sem nunca ter ficado doente, nem mesmo tido colesterol ou pressão altos, Wilson morreu aos 97 anos, dormindo em sua casa, em Caçapava, no último dia 24 de agosto. Deixa os quatro filhos e cinco netos.


