A ex-vereadora do Rio Veronica Chaves de Carvalho Costa, cantora conhecida como a Mãe Loira do Funk, é considerada foragida pela Justiça. Policiais civis não a encontraram em casa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, ao tentar cumprir nesta quarta-feira (23) um mandado de prisão contra ela.

A empresária, que se filiou ao PL (Partido Liberal) em 2022, foi condenada em 2023 a 10 anos e 8 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por torturar o ex-marido, Márcio Costa, em caso denunciado à polícia em fevereiro de 2011.

Após o trânsito em julgado da ação, etapa em que não cabe mais recurso, a ordem de prisão foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal.

A pena atual foi definida pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Ao julgar recurso do Ministério Público do Rio, os desembargadores elevaram a punição fixada na primeira instância, em 2019, que era de 5 anos e 10 meses.

O colegiado também determinou o início do cumprimento em regime fechado e manteve a perda do mandato de vereadora, decretada pela 16ª Vara na sentença original.

Na época do aumento da pena, a defesa de Verônica, representada pelo advogado Rafael Kullmann, afirmou que a condenação, "baseada em versão da suposta vítima sem base probatória, certamente será revertida em novos recursos ante sua fragilidade".

"A versão acolhida pela Justiça neste momento se assenta em dúvidas e não certezas, em palavra da vítima, que fugiu do processo se negando a apresentar material genético para confrontar prova técnica favorável à defesa", acrescentou. A reportagem não identificou a defesa atual nesta quinta-feira (24).

Em depoimento à Polícia Civil, Márcio relatou ter ficado amarrado e amordaçado na cama do próprio quarto por 20 horas. Segundo ele, familiares da empresária borrifaram inseticida em seu rosto e espalharam gasolina sobre seu corpo, com a ameaça de atear fogo nele.

Ouvida pela polícia em 2011, Veronica negou as agressões e disse desconhecer como o então marido havia se ferido na noite de 21 de fevereiro daquele ano. Ela acusou Márcio de usar drogas e de ameaçá-la por anos.

"Ele chegou na minha casa muito nervoso, gritando, muito machucado, querendo me agredir como sempre", declarou a jornalistas na ocasião.

O mesmo julgamento de 2023 endureceu as penas de quatro parentes da ex-vereadora que também são réus no processo.

O irmão dela, Bruno Chaves Ribeiro, recebeu 10 anos e 8 meses de prisão. A irmã, Tatiane Chaves Ribeiro, o marido de Tatiane, Bruno Marcelo Bahia Marques, e o padrasto de Veronica, Sebastião de Oliveira Evangelista, foram condenados a 10 anos de reclusão cada um.

Os quatro deveriam cumprir a pena em regime inicialmente fechado, mas nenhum deles está preso. A consulta pública não informa quem são os advogados dos condenados.