As aulas na rede municipal de Manaus (AM) estão suspensas desde o dia 9 de outubro devido à fumaça de queimadas que tem encoberto a região. Na rede estadual, escolas foram fechadas de terça-feira (13) a quinta-feira (15), retomando a suspensão nesta segunda-feira (19).
Em nota divulgada no último domingo (18), a Prefeitura de Manaus destaca que a medida tem como objetivo preservar a saúde e o bem-estar dos estudantes e dos profissionais de educação.
Na data, a capital amanheceu com qualidade do ar classificada como péssima, segundo informações da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec).
"O cenário está associado a um novo aumento dos focos de calor no interior do Amazonas, que contribui para a presença de fumaça sobre a capital e para a piora da qualidade do ar", declarou a prefeitura. A gestão contabiliza cindo dias consecutivos sem aula, levando em consideração que o dia 12 de outubro é feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país.
Na rede estadual, as primeiras suspensões ocorreram no dia 8, em três escolas das zonas sul e oeste de Manaus. Nos dias 9, 13, 14, 15 e 19 de outubro, a ação foi adotada em instituições da capital e das cidades de Autazes, Nova Olinda do Norte e Itacoatiara.
As suspensões também afetam os estudantes de nível superior. A Universidade do Estado do Amazonas informou que não haverá atividades acadêmicas presenciais até sexta-feira (23).
"Os docentes deverão manter o acompanhamento pedagógico dos estudantes e a continuidade do planejamento dos componentes curriculares", diz, em comunicado. A suspensão ocorre consecutivamente desde quarta-feira (14), mas também houve interrupção nos dias 8 e 9 de outubro.
A Universidade Federal do Amazonas suspendeu atividades presenciais desde a sexta-feira (16). A nota mais recente informa que a medida vale até o turno da manhã da terça-feira (20). Além do campus Manaus, foram afetados as unidades de Parintins e Itacoatiara, cidades também atingidas pela fumaça. A instituição já havia paralisado as atividades presenciais nos dias 8 e 9 deste mês.
O Amazonas, principalmente no entorno de Manaus, sofre uma escalada de incêndios florestais desde o fim de setembro. No último domingo, o governo federal, que já vem atuando na região por meio de órgãos ambientais, anunciou o enfrentamento às chamas seria reforçado com as Forças Armadas.
Entre as medidas estão a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas em Manaus, para coordenar as operações militares, e a implantação de uma base da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) na capital na terça-feira (20).
Também houve anúncio de apoio financeiro às prefeituras e mobilização dos órgãos de segurança para apurar possíveis crimes relacionados aos incêndios.
Segundo o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, 16 aeronaves estão à disposição das operações. Nos cinco dias anteriores, ações aéreas acumularam mais de 300 horas de voo e lançamento de aproximadamente 800 mil litros de água. No sábado, aviões e helicópteros que atuam no combate aos incêndios foram impedidas de voar em razão do excesso de fumaça na região.
O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Jair Schmitt, declarou que a disputa política nas redes sociais sobre responsabilidades no combate aos incêndios na Amazônia estão incitando pessoas a colocar fogo na floresta por motivos ideológicos.
Nesta segunda-feira, o Governo do Amazonas afirmou que tem intensificado medidas de prevenção e combate às queimadas e aos efeitos da seca. Entre as iniciativas divulgadas estão a contratação de mais 153 brigadistas florestais e entrega de viaturas, incluindo picapes equipadas com kits de combate a incêndio.
No último sábado, a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas por suposto envolvimento com as queimadas no estado.
Entre 1º de junho e 18 de outubro, o Corpo de Bombeiros do Amazonas contabilizou 3.768 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 23.420 focos de incêndio, sendo 4.707 na capital e 18.713 no interior.
DANO À SAÚDE
O mês de outubro já supera setembro e agosto somados no O número de atendimentos por exposição à fumaça na rede estadual de saúde em outubro já supera a soma daqueles realizados em agosto e setembro, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.
Foram 315 atendimentos até 14 de outubro, 178 em setembro e 48 em agosto. Os sintomas mais frequentes são tosse e dificuldade para respirar.
Ao longo dos três meses, 5 ocorrências foram classificadas como emergenciais. Houve 133 casos urgentes, 273 pouco urgentes e 5 não urgentes. Os demais casos não tiveram a classificação de risco informada.
A fundação também contabiliza 121 registros de intoxicação por fumaça desde agosto. Desses casos, 104 são de Manaus, 10 de Iranduba, 3 de Manacapuru. Os municípios de Careiro, Guajará, Maués e Novo Airão têm um caso de intoxicação cada.




