A Defesa Civil paulista estuda antecipar o início de sua operação de combate aos efeitos da chuva. A medida é uma resposta aos temporais que atingiram o estado de São Paulo nos últimos dias.

O volume acumulado de água registrado de sexta (11) até esta segunda (14) fugiu aos padrões esperados para o período, de acordo com a avaliação do órgão. .

"Tudo indica que temos um adiantamento. Chuvas que deveriam começar em novembro ou dezembro estão vindo agora", disse à Folha na tarde desta segunda o capitão da PM de São Paulo Maxwel Souza, diretor de Comunicação da Defesa Civil.

A Operação Chuvas integra o programa SP Sempre Alerta e faz monitoramento contínuo das condições meteorológicas no estado para reduzir riscos e impactos de chuvas, alagamentos ou deslizamentos.

Ela começa oficialmente em 1º de dezembro e vai até o fim do verão, em meados de março —tradicionalmente o período que registra a maior quantidade de chuvas no estado.

A decisão de antecipá-la ainda depende da análise de meteorologistas, diz Maxwel. Também não há data definida para quando ela começaria.

"Quando a gente ia começar a Operação Fogo [de combate a incêndios no período de seca], no primeiro semestre, todos os institutos de meteorologia apontavam que a chuva só voltaria em outubro. Mas ninguém acertou", diz Maxwel. "Não é porque estão errados. É porque o tempo está pregando peças na gente."

O capitão conversou com a reportagem enquanto ainda avaliava os estragos da chuva que atingiu a região do Vale do Ribeira no último final de semana.

Moradores chegaram a sair de casas e comércios com receio das enchentes que atingem o local.

Dez das 22 cidades que integram a região no estado estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda (14).

O município de Iguape foi o mais afetado, com 158 mm de precipitação nas últimas 72 horas, seguido por Itaóca (145 mm), Apiaí (122 mm), Barra do Chapéu (107 mm) e Registro (106 mm).

O cenário é preocupante pela cheia do rio Ribeira de Iguape, que subiu cerca de nove metros desde o início das chuvas.

Imagens divulgadas pela Defesa Civil mostram que a cidade de Eldorado, uma das que compõem o Vale, amanheceu embaixo d'água nesta segunda-feira.

A situação ocorre um dia depois de o prefeito Noel Castelo da Costa (Solidariedade) pedir em vídeo divulgado nas redes sociais que a população procurasse lugares elevados.

"Vamos correr para lugares altos. Vizinhos, parentes, vocês da zona rural, vão para os lugares altos. Uma equipe do governo do estado está vindo com mantimentos e tendas para nós montarmos abrigo porque a situação fugiu do controle", declarou.

Segundo Maxwel, porém, a tendência é de que o cenário se normalize.

"A chuva está diminuindo e a vazão do rio, também. A chuva deve parar amanhã e só voltar no sábado. Então, a tendência é de retorno à normalidade", diz.