O Bravo (Batalhão de Resposta Avançada Operacional), que reúne policiais em motos, alguns deles em dupla no mesmo veículo e com um fuzil, completa um mês de atuação nesta quinta-feira (22).

Lançado como aposta para conter roubos e furtos de celular e de aliança, com foco na chamada gangue quebra-vidro, o batalhão até aqui, conforme o balanço da Secretaria da Segurança Pública, atuou com milhares de abordagens a motociclistas e a motoristas.

Cerca de 5 mil veículos foram vistoriados no período, e três deles foram recuperados, ou seja, tinham alguma queixa, não especificada pelo governo.

As ações do Bravo levaram à apreensão de sete telefones celulares. Não foi informado se os aparelhos tinham queixa de roubo ou furto ou se pertenciam a suspeitos presos. A cidade tem média de 442 celulares roubados ou furtados por dia, conforme dados de 2025.

Houve ainda a prisão de 67 pessoas, 19 delas foragidas da Justiça. Os números compreendem o período entre 22 de setembro e 20 de outubro.

O dado mais expressivo do balanço é o de pessoas abordadas, pouco mais de 8 mil. Os agentes também apreenderam drogas e R$ 6,4 mil. Em tese, são situações semelhantes às enfrentadas diariamente pelas unidades tradicionais da PM.

O Bravo opera sem efetivo próprio e comandante fixo, sem sede formal e sem decreto que formalize a sua atuação, ao contrário do que ocorre nos demais batalhões da Polícia Militar, como mostrou a Folha. A unidade é formada por uma junção de policiais de diferentes tropas, somando 250 agentes e 150 motos, além de viaturas de apoio.

Parte dos policiais militares que atuam no Bravo recebe gratificação extra pela atuação.

Alguns dos agentes escalados para a operação participam da Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar), programa em que os policiais recebem bonificação em dinheiro por trabalharem na folga. O montante final depende da carga horária cumprida no mês. Há um teto para evitar sobrecarga, já que o policial trabalha quando deveria estar descansando.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que o "Bravo utiliza motocicletas com dois policiais por equipe para ampliar a mobilidade e a capacidade de resposta em áreas estratégicas, especialmente no combate a roubos e furtos".

De acordo com a pasta, as regiões atendidas são definidas com base em informações de inteligência e estatísticas criminais, que ajudam a direcionar o patrulhamento para os locais com maior incidência desses delitos.

Somente no ano passado, 254 mil celulares foram furtados ou roubados no estado. Em maio, a Folha mostrou que, em toda a cidade, haviam sido registradas 37.216 ocorrências de roubos e furtos de celulares no primeiro trimestre deste ano, sendo 24.183 furtos e 13.033 roubos, segundo a SSP.

A análise da reportagem levou em consideração os dados de boletins de ocorrência disponibilizados pela pasta, com a remoção de duplicatas. Como é possível que mais de um celular tenha sido subtraído na mesma ocorrência, o número de aparelhos pode ser maior que o de registros.

Àquela altura, somente o bairro de Pinheiros, na zona oeste, registrava 2.061 ocorrências, média de 23 celulares levados por criminosos todos os dias.

O coronel reformado da PM paulista José Vicente da Silva Filho, membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que um mês é pouco para avaliar qualquer mudança no policiamento.

"O problema é o foco, que é tipicamente militar, de estar direcionado para o processo de trabalho. Prisões, no caso fiscalização de veículos, isso não é traduzido necessariamente em segurança pública, no sentido de a sociedade onde eles atuam se sentir menos vulnerável, ter sido menos vítima das ações criminosas."

Para Silva Filho, os números indicam apenas produtividade, sem outro dado importante: a integração das polícias de um determinado bairro. Ele diz que a sensação de segurança de determinada área é incrementada a partir de ações coordenadas.

Segundo a SSP, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) intensificou o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares na capital por meio de ações integradas de inteligência, investigação e policiamento ostensivo.

"Entre janeiro e agosto deste ano, os roubos de celulares caíram 15,2%, na capital. No mesmo intervalo, mais de 31 mil criminosos foram presos ou apreendidos e 1.965 armas foram retiradas de circulação."

A pasta acrescentou que, desde 2023, 86 mil celulares foram recuperados em todo o estado, dos quais cerca de 49,8% já foram devolvidos aos proprietários.

"A Operação Frank Mobile mobilizou mais de 1,7 mil agentes e, desde setembro, apreendeu 60 toneladas de celulares e peças. No dia 19 de outubro, cem aparelhos recuperados foram devolvidos às vítimas".