O Brasil manteve resultados próximos aos das edições anteriores no Pisa 2025, mas continua abaixo da média dos países da OCDE (grupo de países ricos) nas três áreas tradicionais avaliadas, que são matemática, leitura e ciências.

Entre 2022, edição anterior da avaliação, e 2025, a pontuação média do país aumentou 6 pontos em ciências e caiu 2 pontos tanto em matemática quanto em leitura. Segundo a metodologia, oscilações dessa magnitude podem estar dentro da margem de erro amostral e, portanto, não permitem afirmar que houve uma mudança real no desempenho dos estudantes. A variação mantém o Brasil próximo dos resultados registrados nas últimas edições.

A maior parte dos estudantes brasileiros também não alcança o nível 2 de proficiência, considerado pela OCDE o patamar básico para que o aluno tenha conhecimentos e habilidades necessários à participação plena na sociedade.

- Ciências: apenas 48% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível básico (nível 2 ou superior). Isso significa que 52% ficaram abaixo do nível básico

- Matemática: apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível básico (nível 2 ou superior). Isso significa que 72% ficaram abaixo do nível básico

- Leitura: apenas 49% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível básico (nível 2 ou superior). Isso significa que 51% ficaram abaixo do nível básico

Ciências

Em ciências, área prioritária desta edição, 48% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 (pontuação mínima de 410), considerado pela OCDE o patamar básico para que o aluno tenha conhecimentos e habilidades necessários à participação plena na sociedade. Em comparação, essa média é de 74% nos países da OCDE. Na edição de 2022, eram 45%.

No nível 2, o estudante consegue reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e usar esse conhecimento em situações simples. Também é capaz de avaliar conclusões a partir de dados fornecidos e distinguir explicações científicas de não científicas.

Nos níveis mais altos de proficiência, 5 e 6, apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu esse desempenho, ante 7% na média da OCDE. Nesses níveis, as questões exigem que o aluno mobilize conhecimentos científicos para lidar de forma autônoma com problemas mais complexos e situações que podem não ser familiares.

O Pisa procura verificar justamente se o estudante consegue usar o que aprendeu diante de situações que não aparecem necessariamente da mesma forma em uma aula ou em um exercício tradicional. As questões apresentam problemas baseados em situações do mundo real e pedem que o aluno mobilize informações e conhecimentos para chegar a uma conclusão, em vez de apenas recordar uma definição ou aplicar uma fórmula.

Matemática

Em matemática, 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em 2025, ante 65% na média da OCDE. Em 2022, eram 27%.

Nesse patamar, o estudante consegue reconhecer como uma situação simples do cotidiano pode ser representada matematicamente, mesmo sem receber instruções diretas. Entre as tarefas associadas a esse nível estão comparar a distância total de duas rotas alternativas e converter preços de produtos para outra moeda.

Nos níveis 5 e 6, que reúnem os estudantes com desempenho mais alto, praticamente nenhum aluno brasileiro chegou a esse patamar, ante 8% na média da OCDE. As tarefas nesses níveis envolvem problemas complexos que exigem a elaboração e o uso de modelos matemáticos e a avaliação de diferentes estratégias para chegar a uma solução.

Leitura

Já em leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2, ante 69% na média da OCDE. Em 2022, eram 50%.

Nesse nível, o aluno consegue identificar a ideia principal de um texto de comprimento moderado e localizar informações específicas a partir de critérios apresentados no próprio texto. Também é capaz de refletir sobre o conteúdo, a forma e o propósito de uma leitura quando recebe orientações explícitas.

Nos níveis mais altos, 1% dos estudantes brasileiros atingiu o nível 5 ou superior, ante 6% na média da OCDE. As tarefas desse patamar envolvem textos mais longos e complexos, nos quais o estudante precisa lidar com conceitos abstratos e distinguir fatos de opiniões a partir de informações explícitas e implícitas.

O desempenho também varia de acordo com a condição socioeconômica dos estudantes. Em ciências, a diferença entre os 25% de alunos brasileiros mais ricos e os 25% mais pobres foi de 96 pontos, acima da média de 85 pontos da OCDE.

Exemplos de questões

As questões de ciências, área prioritária desta edição, apresentam situações do cotidiano em que o estudante precisa interpretar gráficos e aplicar conhecimento científico para tomar decisões.

Um dos itens, por exemplo, coloca o aluno no papel de prefeito de uma cidade fictícia que precisa escolher uma fonte de energia para substituir um gerador a diesel, comparando gráficos de geração e custo de opções eólica, solar, hidrelétrica e a gás.

Veja alguns exemplos liberados pela OCDE da edição 2025:

Crédito parcial (acertou só uma): Fast fashion - dificuldade nível 2: identificar a fonte mais confiável. Resposta certa: C — artigo de revista agrícola internacional revisado por cientistas agrícolas.

Crédito completo (acertou as duas): Fast fashion - dificuldade nível 6: justificar a confiabilidade da fonte. Resposta certa: ela foi revisada por outros especialistas, ela compara os resultados de um estudo científicos ao longo do tempo e o autor é especialista em análise de tendências de dados.

Raios - dificuldade nível 2: explicar por que o relâmpago é visto antes do trovão. Resposta certa: a velocidade da luz no ar é mais rápida do que a velocidade do som no ar.

Parque eólico - dificuldade nível 5: apontar um benefício ambiental da energia eólica. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "não há emissão de CO₂ durante a geração de eletricidade".

Mosca-soldado-negro - dificuldade nível 2: prever o efeito do aumento da população do inseto. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "a população de moscas domésticas diminui, porque as moscas-soldado-negro são predadoras".

Perda de biodiversidade - dificuldade nível 1a: identificar o grupo com maior risco de extinção. Resposta certa: a porcentagem de espécies ameaçadas de extinção é maior para tartarugas marinhas do que para os outros grupos de espécies.

Fontes de energia - dificuldade nível 5: identificar um problema causado pela falta de energia. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "acidentes de trânsito por falta de semáforos; risco a pacientes em suporte de vida; falta de iluminação; perda de alimentos por falha na refrigeração, entre outros."