A forma de erguer prédios está mudando e há um choque de tendências entre sistemas construtivos, bem exemplificado no mercado imobiliário de São Paulo. De um lado vigora o método artesanal, com uso abundante de concreto e alvenaria. De outro, o industrial, no qual imperam as paredes de drywall —feitas com placas de gesso, às vezes recheadas de lã de rocha— que servem para isolar os apartamentos e delimitar seus espaços internos.

Há outras tecnologias construtivas industriais com demanda crescente. Existem os pilares, vigas e lajes pré-fabricados e pré-moldados de concreto, montados no canteiro de obras. Outro exemplo é o chamado steel frame, que substitui os tijolos e blocos por uma estrutura de aço galvanizado e suporta casas e prédios de poucos andares.

"Há falta de mão de obra em todos os níveis e as construtoras estão procurando técnicas de montagem mais secas e limpas", diz o arquiteto e urbanista Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – São Paulo). "O que se busca é sustentabilidade." Existe uma reflexão entre os empreiteiros sobre qual método é mais vantajoso em termos de eficiência, custos e retorno sobre o investimento.

Na estimativa de Garrido, considerando os prédios em construção na cidade hoje, a proporção de uso entre as soluções artesanais e industriais é de seis para quatro.

Existem entraves de custo para o método industrial, mais caro do que o tradicional. Outro problema é o tempo que leva o projeto, considerado longo. Há também o preconceito de muitos consumidores —que não querem morar em um apartamento com paredes de drywall— e críticas à padronização dos edifícios.

Segundo o arquiteto, esse preconceito está diminuindo em função de benefícios práticos. "A construção industrial é mais leve, alivia o custo da estrutura, sem contar que é limpa porque produz poucos resíduos", afirma. "Além disso, tem mais resistência térmica e acústica."

Nessas novas construções, o banheiro chega semipronto, como um módulo. Basta instalá-lo e conectá-lo. Janelas e portas estão pré-montadas e exigem o mínimo de mão de obra para fazer os ajustes. É preciso apenas encaixá-las. Os defensores do novo sistema dizem que o tempo prolongado do projeto é compensado com folga pelo ganho de racionalidade na execução.

Garrido afirma que o prazo de desenvolvimento do plano industrial de obra é de 20% a 30% mais longo do que o tradicional. Em compensação, a construção chega ao fim em pelo menos um terço do tempo.

O drywall é uma tecnologia que chegou ao Brasil no final dos anos 1980 para ser usada em escritórios e prédios comerciais e há pouco mais de uma década começou a aparecer em edifícios residenciais na cidade. Costuma ser muito utilizada nos retrofits, por exemplo.

Garrido afirma que as construções industriais estão na sua terceira onda, vão bem além do drywall e incluem o banheiro pronto, estruturas pré-fabricadas e componentes produzidos fora do canteiro de obra. Ele calcula que para erguer um edifício de 24 andares pelo sistema tradicional seriam necessárias de 100 a 200 pessoas no processo. Com as novas tecnologias esse número pode ser reduzido a um terço.

Também mudam os perfis dos trabalhadores: a mão de obra mais especializada substitui a comum. Segundo o arquiteto, o setor sofre com escassez de funcionários, desde o nível mais baixo, do pedreiro, passando pelo intermediário, do mestre de obras, e chegando aos gerentes e aos escritórios de arquitetura. Acontece um crescimento robusto do mercado imobiliário na cidade e a maioria dos profissionais dessa área está empregada.

Além disso, há uma rejeição à profissão de pedreiro nas novas gerações, em parte porque o profissional é exposto a um ambiente insalubre e aos piores efeitos das ondas de calor e das mudanças climáticas. A Asbea realiza, entre os dias 31 de setembro e 1º de outubro, das 9h às 18h, no Distrito Anhembi, a 2ª edição de seu seminário anual, cujo tema é a sustentabilidade.