Uma mãe e uma filha relatam ter sido vítimas de uma tentativa de sequestro durante uma corrida de aplicativo na região centro-sul de Belo Horizonte. Elas conseguiram fugir do veículo após verem um segundo homem sair do bagageiro durante uma parada não solicitada.

O caso ocorreu no dia 20 de setembro nas imediações da avenida Raja Gabaglia, perto da BR-356, mas só veio a público na última semana, após uma das vítimas compartilhar um relato nas suas redes sociais.

Segundo a jovem, ela comemorava o aniversário com a mãe em um restaurante no bairro Vila da Serra, no município de Nova Lima, e teria solicitado um carro por meio da plataforma da Uber em direção ao bairro Buritis.

"Ao solicitar o serviço, conferimos a placa, entramos no carro e o motorista imediatamente nos informou o destino", ela conta.

Alguns minutos após o início da corrida, o motorista teria parado o veículo, alegando que o porta-malas estava aberto. Foi nesse momento que elas viram um homem saindo do compartimento.

"Felizmente estávamos atentas e em tempo pudemos perceber o que estava acontecendo para fugir", ela diz no relato. "Duas mulheres correndo por uma rodovia à noite, até conseguir ajuda."

A jovem afirma que denunciou a situação ao aplicativo e recebeu da Uber uma resposta padronizada, sem nenhum telefonema ou outro contato imediato. "A plataforma ainda ocultou os dados do veículo, dificultando, com isso, o registro da ocorrência às autoridades quando fomos à delegacia fazer o boletim", ela diz.

O caso se soma a outra ocorrência registrada na mesma região no dia seguinte, 21 de setembro, quando uma nutricionista afirmou ter sido rendida durante uma corrida de aplicativo pelo motorista e seu comparsa, que também estaria escondido dentro do porta-malas.

Ela conta que permaneceu dentro do veículo sob ameaças por mais de uma hora, período em que os suspeitos teriam pegado o celular da vítima e acessado suas contas bancárias. Ela conseguiu pedir ajuda após ter sido abandonada em uma rodovia.

Polícia Civil de Minas Gerais investiga ambos os casos. "As equipes estão empenhadas na identificação da autoria, e todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas", disse o órgão em nota, afirmando que novas informações serão divulgadas conforme o andamento da apuração.

Segundo a Uber, as duas ocorrências em Belo Horizonte estão ligadas ao mesmo motorista, que teve a conta no aplicativo desativada.

A plataforma destaca que mantém um contrato com o Serpro (Empresa Nacional de Inteligência em Governo Digital e Tecnologia da Informação), do governo federal, para confirmar as informações dos veículos cadastrados e motoristas parceiros, que passam por uma checagem periódica de antecedentes criminais.

Entre as demais medidas de segurança adotadas pela plataforma, estão, segundo a Uber, algoritmos de reconhecimento facial, para confirmar se a foto coletada do motorista na criação de uma conta é verídica, e checagens aleatórias por meio de selfies.

"A Uber orienta que, antes de embarcar, os usuários confiram se as informações exibidas no aplicativo correspondem ao veículo e ao motorista que chegou ao local de partida", cita a nota. A plataforma reforça a importância de o usuário checar a placa e o modelo do veículo, além do nome e da foto do motorista.

A empresa afirma que lamenta os casos e colabora com a investigação.