Os índices de desmatamento caíram no cerrado e subiram na amazônia em setembro. A área sob alerta na amazônia foi de 350 km² no mês passado, alta de 9% em relação aos 327 km² registrados no mesmo mês em 2025. No cerrado, o índice do último mês foi de 253 km², queda de 30% na comparação com os 360 km² perdidos em setembro do ano passado.

Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), e foram divulgados nesta sexta-feira (8). O Deter emite alertas de desmate para orientar ações de fiscalização. Os números oficiais são de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e divulgado anualmente.

A taxa registrada no último mês é a segunda mais baixa da série histórica do Deter, iniciada em 2018. Na amazônia, mesmo com o aumento, o índice é o segundo menor da década, perdendo apenas para setembro de 2025.

O crescimento na destruição da floresta foi puxado principalmente pelo Pará, que respondeu por metade (177 km²) da área perdida. Em seguida, vêm Mato Grosso (59 km²) e Amazonas (51 km²). No cerrado, os estados que mais desmataram no último mês foram Maranhão (81 km²), Mato Grosso (58 km²), que abriga ambos os biomas, e Tocantins (38 km²).

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a diminuição foi de 27% na floresta amazônica, indo de 3.272 km² para 2.392 km², e 9% no cerrado, que foi de 4.476 km² para 4.063 km².

O índice demonstra a tendência de redução na perda de vegetação nativa comandada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente na região Norte. Em 2022, último ano da gestão Jair Bolsonaro (PL), 8.590 km² foram perdidos na amazônia de janeiro a setembro —mais de três vezes superior ao patamar atual.

Especialistas afirmam que a redução da destruição ambiental nos últimos quatro anos se deve à retomada de políticas encabeçadas por Marina Silva (Rede) à frente do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática. Entre as medidas de destaque estão planos de controle do desmate, recomposição de quadros e orçamento de órgãos de fiscalização, e restrições financeiras a desmatadores.

Historicamente, julho, agosto e setembro concentram as maiores taxas de desmatamento na amazônia. Estes são os meses mais secos na região, o que facilita a remoção da vegetação. O cenário no cerrado é parecido, mas o período de seca costuma durar mais e começar antes, ainda em maio.

Somadas as áreas sob alerta de desmate em ambos os biomas em 2026, o total chega a 6.455 km², equivalente a quatro vezes à área da cidade de São Paulo (1.521 km²).

A perda de vegetação nos dois maiores biomas do país mostra o tamanho do desafio para que o Brasil cumpra seus compromissos de enfrentamento à mudança climática junto à ONU, já que o desmatamento é a maior fonte de gases de efeito estufa no país.