Os países que negociam o primeiro tratado mundial para limitar a poluição por plástico estão menos divididos do que antes e um acordo pode ser alcançado em março do ano que vem, declarou à AFP o embaixador chileno Julio Cordano, que preside as conversações.
Em 2022, a ONU iniciou os trabalhos para alcançar um tratado sobre a poluição por plásticos, mas as negociações de 2024 sobre o tema, na Coreia do Sul, terminaram sem acordo.
Um ano depois, a questão voltou a ser abordada em Genebra, porém também não foi adiante.
A maioria dos países reivindica medidas ambiciosas e vinculantes para frear a produção de plástico, que poderia triplicar até 2060, segundo estimativas.
Mas há um grupo de Estados, em sua maioria produtores de petróleo —entre os quais Arábia Saudita, Kuwait e Rússia—, que se opõe às restrições e defende a estratégia de adotar uma melhor gestão dos resíduos.
Cordano, que assumiu o cargo no início deste ano, publicou recentemente um rascunho de um possível tratado, com os trechos mais controversos entre parênteses —os temas que provocaram o fracasso das rodadas anteriores, como o teto para a produção de plástico, a menção à saúde humana e a classificação de produtos plásticos problemáticos ou substâncias químicas preocupantes.
Agora, o embaixador confia que a próxima rodada oficial de negociações, em março, resultará em um acordo. "Meu plano, minha expectativa, é que possamos adotar o tratado [na reunião de março], se seguirmos os passos corretos, se conseguirmos avanços constantes e se concluirmos o mapa do caminho que apresentei" afirmou Cordano em Bancoc (Tailândia), após conversas informais com chefes de delegação, a portas fechadas.
"Acho que vocês ficariam surpresos ao ouvir os membros sobre esses temas. Acredito que estão muito mais próximos do que simples posições binárias irreconciliáveis", disse, acrescentando que existem "motivos para ser otimista".
Segundo indicaram várias fontes à AFP, há países cada vez mais favoráveis à criação de um documento que ofereça opções distintas, para que os Estados mais ambiciosos escolham limitar a produção ou determinados produtos, ainda que outros não o façam.
No entanto, ainda restam questões complicadas para resolver, como os mecanismos para adotar um tratado ou modificá-lo no futuro.

