A fumaça provocada por queimadas levou à suspensão das aulas da rede municipal de Manaus nesta quarta-feira (14). A prefeitura estendeu a medida, até domingo (18), a todas as atividades ao ar livre e em locais com aglomeração, diante da manutenção das condições desfavoráveis da qualidade do ar.

Segundo a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal, a média da concentração de partículas finas na capital era de 123,9 microgramas por metro cúbico na manhã desta quarta-feira, índice classificado como muito ruim. A leitura foi registrada às 7h06, com base em dados de 14 sensores da plataforma PurpleAir. O alerta divulgado pela Defesa Civil era válido até as 10h.

A fumaça que atinge a capital nas últimas semanas é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões leste e metropolitana, além de outros estados, segundo a prefeitura.

A Secretaria Municipal de Educação disse que a suspensão das aulas tem caráter preventivo e busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça. A prefeitura acrescentou que a retomada das atividades ao ar livre será definida conforme a evolução das condições ambientais.

Entre os espaços e eventos afetados pela suspensão estão o Parque Municipal do Idoso, o Parque Gigantes da Floresta, o Parque Cidade da Criança e a Feirinha do Boi Manaus, no sambódromo.

A Defesa Civil recomenda que idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças respiratórias redobrem os cuidados. Entre as orientações estão manter a hidratação, usar máscaras do tipo PFF2 e evitar exercícios físicos.

Na rede estadual de ensino, a Secretaria de Educação suspendeu as aulas do turno da manhã nas escolas da capital nesta terça-feira (13). Na mesma data, as atividades foram suspensas em todos os turnos em Autazes e no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na região metropolitana de Manaus.

No interior do estado, a Prefeitura de Maués decidiu parar as aulas presenciais da rede municipal, mas até sexta (16). Durante o período, os estudantes terão atividades remotas. A gestão municipal interrompeu atividades esportivas, incluindo escolinhas de iniciação esportiva e jogos competitivos da categoria adulta, além dos grupos de convivência dos serviços de assistência social.

Nesta quarta-feira, a concentração de partículas poluentes em Maués chegou a 215 microgramas por metro cúbico, índice classificado como péssimo.

FOCOS DE INCÊNDIO

O Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 12 de outubro, aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 3.611. Os dados são do Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), obtidos por imagens de satélite.

Quase um terço dos focos registrados nos 30 dias anteriores a 13 de outubro estava em municípios da região metropolitana de Manaus. Autazes liderou os registros nesse intervalo, com 313 focos, seguida por Itacoatiara, com 200, Careiro da Várzea, com 134, e Manacapuru, com 133.

A maior concentração, porém, ocorreu nas regiões sul e sudeste do estado. Nos 30 dias anteriores à publicação dos dados, Lábrea registrou 379 focos, Novo Aripuanã teve 311 e Boca do Acre, 298.

Apesar do aumento em relação a 2025, o acumulado no Amazonas estava 12% abaixo da média histórica da série do Inpe, iniciada em 1998, e 67% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2024, quando uma seca extrema atingiu a Amazônia.

O governo federal informou que mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate às queimadas no Amazonas. O Corpo de Bombeiros Militar do estado afirmou ter atuado no combate a 21.690 focos desde o início de junho, sendo 4.526 em Manaus e os demais no interior.

Em nota divulgada nesta terça-feira (13), o governo estadual afirmou que mantém ações de prevenção, fiscalização e combate às queimadas desde fevereiro. Segundo a gestão, cerca de mil profissionais atuam no combate às chamas desde junho, em meio à estiagem e às altas temperaturas associadas ao El Niño.

No fim de semana, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas atingidas e afirmou que a presença de focos em meio à floresta preservada indicava a ocorrência de incêndios criminosos. Ele cobrou maior atuação policial para identificar e punir os responsáveis.

Nesta terça, o Ibama, Ipaam, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros anunciaram o reforço de ações coordenadas de fiscalização, policiamento e combate aos incêndios.

O Ministério da Saúde também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS ao Amazonas para apoiar os gestores estaduais e municipais na organização da resposta aos efeitos das queimadas. O trabalho inclui identificar necessidades prioritárias da rede de saúde e avaliar as condições de assistência à população.