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O Ministério Público do Ceará pediu o arquivamento da investigação pelos crimes de feminicídio e indução ao suicídio contra João Munhoz, namorado de Isabelle Caracristi. Ela morreu após cair do 23º andar de um prédio em Fortaleza no dia 13 de setembro.

Segundo a Promotoria, o pedido de arquivamento, publicado nesta quarta-feira (14), ocorreu após a análise do inquérito policial apontar "ausência de indícios de autoria e materialidade desses delitos". Agora caberá a Justiça aceitar ou não o pedido.

O órgão também solicitou que o indiciamento de Munhoz por suspeita de violência psicológica contra a mulher e fraude processual, feito pela Polícia Civil no dia 7 de outubro, seja encaminhado ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O caso corre sob segredo de Justiça.

Procurada por telefone e mensagem na tarde desta quinta-feira (15), a advogada Lígia Peixe, que faz a defesa de Munhoz, não respondeu ao contato até a publicação deste texto. Em setembro, a defesa disse à Folha que negava envolvimento de Munhoz com as acusações.

O corpo de Isabelle foi encontrado no pátio de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, onde ela morava com o namorado e a família dele. De acordo com a investigação, a jovem cometeu suicídio ao pular do terraço do prédio.

A hipótese de indução ao suicídio chegou a ser levantada pela polícia durante as investigações.

Munhoz chegou a ser preso preventivamente no dia 22 de setembro e foi solto no dia 1º de outubro, com tornozeleira eletrônica.

A investigação buscou apurar as circunstâncias da morte e também a relação de Isabelle com o namorado nos dias anteriores.

Em áudios encaminhados a um primo e a uma amiga pouco antes de morrer, Isabelle disse que estava passando por supostas situações de ameaça envolvendo Munhoz.

"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele", disse Isabelle em um dos áudios, enviado à noite para um primo. A investigação apontou que a morte ocorreu por volta das 20h40.

Antes, Isabelle passou parte do dia na casa da mãe antes de retornar ao condomínio no fim da tarde. Ela permaneceu no local quando Munhoz saiu de casa para ir à missa, por volta das 18h30.

O último registro de Isabelle com vida pelas câmeras de segurança foi às 19h12, quando ela subiu sozinha para o 23º andar, onde fica o terraço do prédio, pelo elevador.

Munhoz voltou ao prédio às 22h48 e, segundo a polícia, teria procurado o celular de Isabelle. A família ainda não havia sido avisada imediatamente sobre a morte.

Em nota, as advogadas Adriana Alves e Patricia Viana, que representam a família de Isabelle, disseram que o pedido da promotoria se restringe à competência da Vara do Júri, "por entender que não restaram evidenciados crimes dolosos contra a vida".

Pela lei brasileira, feminicídio e indução ao suicídio são julgados por um tribunal do júri.

"A manifestação ministerial enfatiza a prática inegável de violência psicológica e fraude processual, crimes que deverão ser apurados na esfera especializada", continuou a nota das advogadas.

A polícia disse que foram produzidos 17 laudos periciais, incluindo necropsia, exames toxicológicos, análise do local do crime, DNA, papiloscopia e análise de áudios, além da análise de mais de 700 vídeos de câmeras e dispositivos tecnológicos. Ao todo, 29 pessoas prestaram depoimento no caso.