A Estrada de Ferro Vitória a Minas receberá até o fim do ano um lote de cinco novas locomotivas, de um total de 50 encomendadas, que consomem menos combustível e que podem operar com 25% de biodiesel.

Produzida pela fabricante nacional Wabtec, a primeira máquina terminou a pintura nesta semana e será entregue à Vale para operação na ferrovia que liga Cariacica (ES) e Belo Horizonte e é uma das únicas duas que também transportam passageiros no país.

O modelo é resultado de estudos que têm sido desenvolvidos pela empresa que desde 1972 está instalada em Contagem (MG) e cujo objetivo principal, em parceria com a Vale, é a descarbonização da frota.

As locomotivas da série Evolution, conforme a mineradora, consomem 6% menos combustível, estão aptas a operar com até 25% de biodiesel na mistura e, no futuro, poderão ser movidas a etanol. A exigência legal atualmente é de 15% de concentração de biodiesel.

A proposta, inicialmente com estudos em laboratório e previsão de testes na Vitória a Minas em 2028, é a de chegar a um motor flex (dualfuel), que possa continuar usando o diesel, mas também permita uma mistura do combustível fóssil com o etanol, derivado da cana-de-açúcar e do milho.

"Mais do que um novo modelo de locomotiva, estamos introduzindo uma plataforma tecnológica inovadora, que contribuirá para transportar o minério que abastece cadeias produtivas essenciais à sociedade e, ao mesmo tempo, apoiará nossa jornada de descarbonização", disse Carlos Medeiros, vice-presidente de operações da Vale.

O novo modelo tem melhoria de 50% na capacidade de tração, que é a força necessária para movimentar o trem após a partida.

Além das cinco locomotivas que serão entregues neste ano, o contrato entre a Vale e a Wabtec, empresa de origem norte-americana, prevê outras 45 para os próximos anos. A negociação entre as partes foi anunciada em março do ano passado, e os valores envolvidos não foram divulgados.

Segundo a Vale, a proposta é que as novas locomotivas contribuam para a empresa alcançar duas metas: reduzir em 33% suas emissões de carbono até 2030 e zerar emissões de CO2 até 2050.

Das 50 locomotivas, 36 unidades estão previstas para a Estrada de Ferro Vitória a Minas e as outras 14 irão para a Estrada de Ferro Carajás —que liga São Luís a Parauapebas (PA) e também é operada pela Vale.

A Vitória a Minas foi a ferrovia escolhida para os estudos da locomotiva movida a etanol devido à capilaridade da distribuição do combustível na região Sudeste do país.

A busca pela descarbonização nas ferrovias brasileiras, que utilizam milhões de litros de diesel para movimentar trens com até 330 vagões carregados, inclui outras iniciativas das operadoras, como o uso de condução semiautônoma nos trens, a melhoria na eficiência nos últimos anos e a possibilidade de ampliar o número de vagões por trens sem utilizar mais locomotivas.