Todo ano, escolas e cursinhos começam a elencar possíveis temas para os alunos na redação do Enem. Diante da variedade de assuntos que podem chegar à prova, os professores mantêm o radar ligado desde o início de janeiro para acompanhar as demandas sociais e econômicas que dominam os noticiários.
Para este ano, as sugestões enviadas à Folha se concentram em temas como IA (inteligência artificial), proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes, educação, saúde e mudanças climáticas.
As listas não significam que esses serão os assuntos cobrados pelo Inep, mas reúnem tópicos que os principais cursinhos consideram relevantes para a preparação dos próprios alunos. São, portanto, temas que chegam às salas de aula dessas instituições.
Participaram desse levantamento sobre temas da redação do Enem os colégios e cursinhos Farias Brito, Bernoulli, Anglo, Poliedro, Oficina do Estudante e o grupo Arco Educação.
Nas últimas edições, o Inep tem escolhido temas ligados à visibilidade de grupos sociais historicamente marginalizados. Em 2025, o tema foi "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira".
Para a professora do colégio Bernoulli Sidinéia Azevedo, a escolha de questões relacionadas a grupos vulneráveis é necessária porque há uma distância entre os direitos previstos na legislação e a implementação de leis voltadas a essas populações.
"Políticas públicas não atendem às demandas específicas desses grupos vulneráveis", afirma. Segundo ela, a Constituição assegura direitos, mas nem sempre os projetos formulados pelo poder público acompanham essas garantias.
A professora diz que os cursinhos passam a acompanhar, desde o início do ano, problemas que dominam o debate público. A partir daí, selecionam assuntos que podem render discussões sobre questões sociais relevantes para os estudantes.
Mais importante do que tentar adivinhar o tema do Enem, porém, é se preparar para desenvolver uma argumentação sobre diferentes assuntos. Azevedo também critica o uso de modelos prontos de redação e de citações decoradas.
"Trazer um modelo pronto, criado por alguém, isso é um tiro no pé", afirma. Segundo a professora, o candidato precisa desenvolver uma marca própria no texto, em vez de reproduzir uma estrutura previamente decorada.
A professora também recomenda que os alunos organizem as referências por eixos temáticos, como meio ambiente, educação, tecnologia e cultura. Com essa estratégia, o vestibulando pode recuperar conceitos de maneira mais adequada quando o tema da prova for apresentado.
Inclusão e diversidade dominam apostas
A inteligência artificial foi um dos assuntos que mais se repetiram entre as apostas enviadas à Folha. Poliedro, Oficina do Estudante e Anglo citam a tecnologia, com diferentes recortes.
Segundo a professora de redação do Curso Anglo, Daniela Toffoli, a aposta tem um enfoque. Em vez de uma proposta ampla sobre a regulamentação da IA, ela considera mais provável uma abordagem ligada a problemas sociais, como os efeitos da tecnologia no trabalho.
"Os impactos da inteligência artificial sobre o mundo do trabalho no Brasil", sugere.
Outro tema citado por Toffoli e pelos educadores é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Ela acredita que a entrada em vigor do ECA Digital, em março deste ano, é um dos motivos para manter o assunto no radar. A lei estabelece medidas de proteção no ambiente digital, como verificação de idade e controle parental.
Inclusão e diversidade foi a aposta mais citada pelas instituições, em razão dos últimos temas do vestibular.
Toffoli fez sua aposta na inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista, já que o assunto reúne uma característica comum às últimas propostas do Enem. Envolve um grupo com direitos previstos em lei, mas que ainda enfrenta dificuldades para ter essas garantias efetivadas no cotidiano. O tema também conta com um conjunto de leis e políticas públicas que pode servir de base para a discussão.
A quarta sugestão dos professores é a inserção da juventude na educação e no mundo do trabalho, tema que também apareceu nas apostas do ano passado feitas pela Folha. Nessa questão, Toffoli chama a atenção para dados recentes sobre jovens que estão fora da escola e do mercado de trabalho e para a possibilidade de abordar questões como qualificação profissional e primeiro emprego.
Veja a seguir as sugestões. Você pode treinar a escrita desses temas com ajuda do Folha de Redação, que corrige textos aplicando os critérios do exame nacional e da Fuvest.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E TECNOLOGIA
- Implicações sociais e educacionais da Inteligência Artificial no Brasil (Poliedro)
- Uso ético e responsável da inteligência artificial no Brasil e no mundo (Oficina do Estudante)
- Impactos da IA sobre o mundo do trabalho (Oficina do Estudante)
- Impactos da inteligência artificial sobre o mundo do trabalho no Brasil (Anglo)
- Uso das tecnologias digitais na Educação: possibilidades e limites (Oficina do Estudante)
- A responsabilidade social diante dos discursos de ódio nas plataformas digitais (Poliedro)
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
- Implantação do ECA Digital e o combate à vulnerabilidade de crianças e adolescentes no meio digital (Farias Brito)
- O papel da sociedade na defesa dos direitos de crianças e adolescentes no mundo virtual (Poliedro)
- Desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros (Arco Educação)
- Desafios para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital brasileiro (Anglo)
- Desafios para garantir o direito à vida e ao futuro da juventude brasileira (Arco Educação)
- Combate à violência e ao cyberbullying entre os jovens (Oficina do Estudante)
INCLUSÃO E DIVERSIDADE
- Desafios para a inserção social de pessoas com autismo no meio social (Farias Brito)
- A inclusão social de pessoas neurodivergentes no Brasil (Poliedro)
- Desafios para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade brasileira (Poliedro)
- Desafios para a inclusão da pessoa com transtorno do espectro autista na sociedade brasileira (Anglo)
- Perspectivas para a inclusão das pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira (Arco Educação)
- Desafios para identificar e incluir estudantes com altas habilidades ou superdotação na educação brasileira (Arco Educação)
- Enfrentamento da violência contra a população LGBTQIAPN+ (Poliedro)
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
- Desafios para o combate à evasão escolar no Brasil (Poliedro)
- Desafios para promover a alfabetização plena como condição para o exercício da cidadania no Brasil (Arco Educação e Bernoulli)
- Desafios para a inserção da juventude brasileira na educação e no mundo do trabalho (Anglo)
- Violência escolar e seus impactos socioemocionais (Poliedro)
SAÚDE E BEM-ESTAR
- Impactos do uso exagerado de canetas emagrecedoras no Brasil (Farias Brito)
- Desafios para a consolidação de uma cultura de prevenção em saúde no Brasil (Poliedro e Bernoulli)
- Caminhos para fortalecer a confiança da população brasileira na ciência e nas instituições de saúde (Arco Educação)
MEIO AMBIENTE
- Os impactos das mudanças climáticas (Poliedro e Bernoulli)
- Perspectivas para o enfrentamento das calamidades climáticas e da degradação ambiental no Brasil (Arco Educação)
SOCIEDADE E TRABALHO
- Desafios para o acolhimento de migrantes e de brasileiros retornados no Brasil (Anglo)
- Desafios para a soberania brasileira sobre os minerais críticos (Anglo)
- Caminhos para combater os maus-tratos animais no Brasil (Poliedro)
