A elevação do nível do córrego do Sapateiro contribuiu para o transbordamento dos lagos do parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, após a chuva de quarta-feira (14), segundo Samuel Lloyd, diretor da Urbia. A concessionária é responsável pela administração do parque.
A enxurrada também carregou resíduos e poluentes do córrego para os lagos.
O episódio ocorre cerca de nove meses após outro alagamento no parque. Em janeiro, a Urbia atribuiu a inundação da marquise do Ibirapuera à elevação do nível do córrego do Sapateiro, que, segundo a concessionária, impediu o funcionamento adequado da drenagem.
Com 6,6 km de extensão, o córrego do Sapateiro atravessa áreas urbanizadas da zona sul de São Paulo, em grande parte por trechos canalizados, e deságua nos lagos do parque Ibirapuera antes de seguir em direção ao rio Pinheiros.
A SVMA (Secretaria do Verde e do Meio Ambiente), da prefeitura, disse que o lago passa por manutenção e integra o sistema de drenagem da região, funcionando como reservatório de águas pluviais.
"A SVMA reforça que o contrato de concessão estabelece a responsabilidade da concessionária pelo monitoramento e pela preservação dos recursos naturais do parque, além da coleta permanente de resíduos e detritos flutuantes."
A Sabesp disse que o sistema de esgotamento sanitário da região "opera em plena regularidade". "A Companhia ressalta que o monitoramento do nível dos córregos, a análise da qualidade de suas águas e a drenagem urbana não estão no âmbito de suas atribuições."
Lloyd disse que a "poluição é difusa e que a chuva leva sujeira das ruas para o córrego e, depois, para os lagos do Ibirapuera". A empresa monitora a qualidade da água com análises trimestrais de amostras e retira diariamente resíduos dos lagos com o auxílio de um barco, por meio de coleta manual.
O diretor também reconheceu a existência de pontos de assoreamento —acúmulo de areia, terra e outros sedimentos no fundo dos lagos, que reduz sua profundidade. Segundo ele, a Urbia tem o compromisso de preservar as margens e reflorestar essas áreas.
Para evitar novos episódios, Lloyd defendeu um planejamento urbano que distribua a capacidade de absorver e reter a água da chuva por diferentes áreas da cidade, sem concentrar essa função no parque.
O pluviômetro do parque registrou 97mm de chuva em menos de uma hora na quarta-feira (14). A enxurrada danificou a mureta com gradil no portão 8.
A Urbia informou que reforçou as equipes de zeladoria e manutenção, com 120 profissionais, para realizar a limpeza e os reparos. O parque reabriu normalmente às 5h desta quinta-feira (15), e a concessionária afirmou que não houve intercorrências com frequentadores.
O empresário Aprígio Moreira, 62, que costuma visitar o Ibirapuera, disse que encontrou equipes trabalhando quando chegou pela manhã, mas conseguiu fazer o trajeto habitual sem alterar a rotina. Ele observou que outros visitantes precisaram mudar seus percursos.
O modelo Rodrigo Perrucci, 21, também precisou adaptar os planos por causa do temporal. Ele costuma correr no parque à tarde, mas mudou a rotina na quarta-feira. O corredor afirma que o descarte de lixo é um problema recorrente, principalmente nos dias de sol, quando há mais visitantes.




