Esporte e arquitetura se entrelaçaram ao longo de quase toda a vida de Joel Ramalho Junior: em 1959, conquistou medalha de prata com a seleção brasileira de vôlei nos Jogos Pan-Americanos de Chicago; em 1963, na edição seguinte, sediada em São Paulo, foi um dos arquitetos que assinaram o projeto da vila de atletas.

Essa dobradinha se repetiu outras vezes. O clube da Vila Mariana em que ele e outros atletas despontaram foi, por exemplo, inspiração para a empresa que fundou anos depois: a Adamus, referência em drywall. A escolha foi porque buscava um "nome de vencedor".

Narrativas desse período estão entre as principais de Ramalho. De um colega, ganhou o apelido de Peixe Grande, em referência ao filme do diretor Tim Burton sobre um exagerado contador de histórias.

Ele adorava viajar, conhecer novos locais e culturas. De aventuras com colegas após competições até viagens com a família em tempos mais maduros, conheceu a África e Europa. No geral, contudo, estava mesmo era no escritório.

"Gostava de trabalhar em equipe. Ele falou isso a vida inteira", diz Thomaz Ramalho, filho do arquiteto. "Sempre foi muito generoso em relação a todos os projetos de que participou", relata.

O arquiteto nasceu em Tombos, no interior de Minas Gerais, mas se mudou para São Paulo aos quatro anos. Foi na capital paulista que se formou pelo Mackenzie e adquiriu experiências e influências para toda a vida.

"Ele até me disse assim: ‘Quando você vive a infância em um lugar, parece que viveu ali a vida inteira’", conta o filho. Por outro lado, falava que nasceu em Minas por decisão da "cegonha", cresceu em São Paulo pela dos pais e se mudou para Curitiba (em 1967) pela própria.

Em São Paulo, seu projeto mais conhecido —liderado por Eduardo Kneese de Mello— é o da Vila Pan-Americana, construída em meses. Hoje, os prédios compõem o Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo), com diversas alterações ao longo de décadas.

Foi premiado no setor e referência no uso de elementos pré-fabricados na arquitetura. Entre seus projetos, três dos favoritos eram o anexo da Assembleia Legislativa do Paraná, o edifício do BNDES no Rio de Janeiro e o Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

Ramalho teve carreira diversa na esfera pública e na privada, com passagens pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, pela Cohab (Companhia de Habitação Popular de Curitiba) e pela Secretaria Municipal de Transporte.

Em paralelo, foi professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), por 27 anos, e da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), além de ter presidido o IAB-PR (Instituto de Arquitetos do Brasil) de 1976 a 1977.

Apaixonado por esportes, também foi jogador de basquete e, no Paraná, diretor de natação do Clube Curitibano, pelo qual parte de seus filhos competiu.

Joel Ramalho Junior morreu de causas naturais em 17 de setembro, aos 91 anos. Deixou 5 filhos, 8 netos (o nono está a caminho) e a mulher, Leni.