A Meta removeu 3,12 milhões de itens de conteúdo publicados por usuários no Brasil na categoria de exploração sexual, abuso e nudez infantil no primeiro semestre de 2026.

Esse montante é a soma de medidas adotadas no Facebook, Instagram, Threads e Messenger, segundo o primeiro relatório de transparência da empresa exigido pelo ECA Digital.

Só o Instagram concentrou 2,27 milhões desses itens. Outros 744,6 mil foram removidos do Facebook, 64,5 mil do Messenger e 42,1 mil do Threads.

Os dados não indicam quantos conteúdos constituíam crimes e foram informados à polícia. A forma de contagem ainda varia entre os serviços: no Facebook, fotos e vídeos de uma publicação podem ser contabilizados separadamente; no Instagram, a remoção de uma publicação conta como um item, mesmo que ela reúna várias imagens.

No mesmo período, o TikTok removeu 2.030.651 contas brasileiras por suspeita de que seus usuários tinham menos de 13 anos, idade mínima para usar a plataforma. Houve 322.297 recursos contra esses bloqueios. Após análise, 212.659 contas foram restauradas, o equivalente a 66% das contestações.

A plataforma também removeu 7,96 milhões de vídeos no Brasil de janeiro a junho por conteúdo sensível.

Desse total, 7,89 milhões foram identificados e retirados proativamente, antes de uma denúncia, equivalentes a 99,1%. As publicações analisadas incluem desde abuso físico e sexual de jovens até exposição do corpo, produtos regulados, golpes e desafios perigosos.

Apesar de publicados pelas grandes plataformas após a entrada em vigor do ECA Digital, em março, a maioria dos documentos abrange um período maior, desde janeiro.

O WhatsApp diz ter banido 61.115 contas brasileiras no semestre por infrações relacionadas à exploração sexual infantil, categoria que inclui imagens de exploração, nudez e aliciamento.

Em seus canais abertos, a plataforma registrou 9.382 medidas ligadas à categoria de abuso e nudez infantil.

A empresa criou um canal apenas para receber denúncias do ECA Digital. Chegaram 2.176 no período analisado. O WhatsApp, porém, diz não conseguir dividi-las por categoria.

O Discord, por sua vez, relata ter enviado 12.820 denúncias envolvendo fotos ou vídeos e 2.817 envolvendo texto ao centro americano NCMEC (Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, em português), que recebe notificações de suspeitas de exploração sexual infantil.

A plataforma afirma que ainda trabalhava para operacionalizar o procedimento específico de notificação previsto no Brasil. Segundo o documento, o NCMEC disponibiliza as informações às autoridades policiais competentes.

Em seu relatório, a empresa também classificou como baixo o risco de suicídio e automutilação de seus usuários. Isso após ter seus recursos de vídeo banidos no Brasil devido à investigação sobre a morte de uma jovem durante uma live.

Outros dois relatórios mostram como as empresas diferem na apresentação dos dados. O Kwai afirma ter restringido a menores o acesso a 12,69 milhões de vídeos entre 17 de março e 30 de junho e classifica como alto o risco residual de identificar incorretamente a idade dos usuários.

Já o Pinterest registra a remoção de 1,61 milhão de conteúdos pertencentes a usuários brasileiros menores de 18 anos nesse período, sem discriminar por motivo esse total de remoções.