Se você ainda tinha alguma dúvida sobre o tamanho da nossa indigência política, este 7 de Setembro na Paulista trouxe a confirmação do buraco. No meio da romaria verde e amarela contra o STF, lá estava ele, firme e reciclado, o boneco inflável de Donald Trump. Não é a primeira vez que o trambolho alaranjado dá as caras por ali, mas essa insistência só piora o diagnóstico. É preciso um complexo de vira-lata terminal para sair de casa enrolado na bandeira do Brasil e bater continência para bonecão de posto gringo.
A cena escancara uma verdade constrangedora: nem os eleitores de Flávio Bolsonaro acreditam no próprio candidato, apenas herdeiro do espólio paterno. Sem luz nem tração própria, o senador precisa se agarrar a tudo o que é maior do que ele —do antipetismo ao messianismo de Trump. Ele se vende em dólar, enquanto a própria claque entra como avalista dessa tutela estrangeira. Jair Bolsonaro fez escola.
Quem se esqueceu do episódio em que ele manda um "I love you" ao presidente americano e é deixado no vácuo, em plena Assembleia Geral da ONU?
O recado dos "patriotas" é o desprezo pela soberania. O Brasil carrega uma penca de problemas, mas é o chão que nos deu uma língua, uma cultura rica e tudo o que define uma nação. Esse flerte cafonérrimo com o imaginário alheio nega as nossas raízes, nossa essência e qualquer resquício de civismo.
A grande ambição dessa gente nunca foi consertar a República. O sonho dourado sempre foi acordar na Flórida. O detalhe é que a maioria esmagadora daquele público seria sumariamente despachada logo na imigração. Como o visto não vem, o consolo é transformar o Brasil num puxadinho americano. Esse é o desejo real. Mais do que patético, acho triste.
Flávio Bolsonaro é o produto perfeito dessa subserviência. Uma liderança opaca que entregaria o Brasil numa bandeja com laço vermelho se isso lhe rendesse um green card no futuro —seguindo a cartilha adotada pelo irmão golpista. Chamar essa vassalagem de patriotismo é o maior dos deboches com quem de fato se preocupa com o futuro do país.

