Filho de militantes políticos, Tito Bruno Bandeira Ryff nasceu em Porto Alegre (RS), mas viveu por 14 anos exilado com os pais, o jornalista Raul Ryff, secretário de Imprensa do presidente João Goulart, e a poetisa Beatriz Bandeira. Nesse período, formou-se em economia em Paris e tornou-se doutor em economia agrícola pela Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Quando voltou ao Brasil, em 1978, dedicou-se ao desenvolvimento econômico e ao planejamento governamental.

Em 1985, atuou no Ministério da Fazenda do governo José Sarney e participou da formulação de políticas econômicas para o país no período pós-ditadura. Ele focou na eficiência da gestão pública e na construção de políticas de interesse coletivo.

Herdou dos pais a preocupação pelo bem comum, observa o sobrinho Luiz Antônio Ryff, ressaltando o compromisso com a ética. "Foram mais de duas décadas em postos importantes da administração pública, cumpridos de forma ilibada, sem nunca ter tido uma acusação ou respondido a qualquer processo."

No Rio de Janeiro, foi secretário municipal de Planejamento (1986) e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Planejamento, Agricultura, Obras e Serviços Públicos, em diferentes mandatos.

Filiado ao PDT, elegeu-se vereador (1989) e deputado estadual (1991), com ações focadas no crescimento econômico, atração de investimentos, fortalecimento da produção e modernização da gestão pública.

Atuou ainda como professor na PUC Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), na FGV (Fundação Getúlio Vargas) e na UniverCidade, onde foi vice-reitor.

Trabalhou para o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), foi vice-presidente da SNA (Sociedade Nacional de Agricultura) e membro do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Atualmente, estava à frente da Gerência de Políticas Públicas do Sebrae Rio.

Criado em um ambiente com valores socialistas e trabalhistas, Tito nunca enxergou a vida pública como espaço de privilégios ou de poder, conta o filho, Rodolfo Ryff. "Para ele, servir ao Estado significava colocar sua formação técnica a serviço da coletividade."

Ele recorda que, para o pai, as oportunidades não deveriam ser medidas pelo retorno financeiro, mas pela contribuição ao desenvolvimento. E que ele via o Estado como instrumento de transformação social e acreditava que desenvolvimento econômico e justiça social são objetivos inseparáveis.

Na vida pessoal, foi agregador. Tinha facilidade para ouvir, aconselhar, aproximar pessoas e construir amizades duradouras.

Pai presente, carinhoso e interessado, deixava a família ocupar o centro de tudo, especialmente os netos, Lara e Tomás. Com eles, cantava, brincava e conversava sobre história, política, geografia e cultura com naturalidade.

Escritor de livros de ficção, era apaixonado pelo Flamengo e não perdia um jogo. Na juventude, vestiu a camisa do clube como jogador de basquete, orgulho que carregou pela vida. Gostava de viajar e descobrir culturas diferentes.

Tito morreu em 6 de agosto, de câncer. Deixa a mulher, Flavia, 1 filho, 2 netos, 7 sobrinhos e 1 irmão gêmeo, o físico Luiz Carlos Ryff.