Jeronimo Bonilha Esteves foi por anos chefe do escritório do arquiteto francês Jacques Pilon em São Paulo. Também acumulou trabalhos com outros importantes nomes do meio, como o urbanista Jorge Wilheim.
Essas foram parcerias importantes para o experiente arquiteto, mas havia outra que considerava uma realização muito especial: a que firmou com Luciana Esteves, sua filha, para o Sesc Vila Mariana. A unidade foi inaugurada em 1997, na zona sul paulistana.
"Foi muito gratificante para ele", conta a filha e ex-sócia. O projeto foi premiado pelo IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil) em 1998.
A proposta em parte havia se inspirado no Sesc Pompeia, projeto de Lina Bo Bardi, também implantado no endereço de uma fábrica —no caso da Vila Mariana, de lustres, mas cuja estrutura não foi preservada.
O terreno estreito em desnível foi um desafio diante do volume e da diversidade de atividades previstas, com a construção de duas torres com ambientes em parte abertos, que formavam um grande vão, percorrido por passarela de aço.
"Me ocorreu a ideia de que a unidade fosse quase oca por dentro, para que os usuários sempre pudessem ver onde estão localizadas as atividades e assim se interessassem", contou Bonilha Esteves à revista do Sesc em 2005. "Foi isso que pautou o projeto: da lanchonete se veem as piscinas, das quadras você enxerga o teatro, e por aí vai."
O arquiteto nasceu em Garça, no interior paulista. Cresceu em meio aos campos de café, em fazendas administradas pelo pai, oriundo de uma família de imigrantes espanhóis.
Mudou-se para a cidade grande a fim de estudar. Segundo a filha, aos 20 anos, passou em primeiro lugar entre aqueles que disputavam uma vaga para ingressar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo).
Não se desvinculou das raízes interioranas ao longo da vida. Por anos, passou os fins de semana com a família em um sítio em Araçoiaba da Serra.
Ali, não só a casa era fruto de um projeto seu, como outras tantas árvores que plantou. Gostava de estar no campo em companhia da mulher, das filhas, dos netos, dos genros e de amigos. "Esse era o seu lazer", diz Luciana.
Católico não praticante, ele está entre aqueles que aplicaram o modernismo à arquitetura religiosa, com o premiado projeto da Capela da Colônia Francesa, anexa ao colégio Liceu Pasteur e hoje parte da paróquia Pessoal Francesa São Francisco de Sales, também no distrito da Vila Mariana.
Jeronimo Bonilha Esteves morreu em 17 de setembro, aos 92 anos, de morte natural. Viúvo, deixou 3 filhas, 2 genros, 1 neta e 2 netos.
Entre outros trabalhos, teve a coautoria do terminal de ônibus urbanos do Jabaquara, na zona sul, do Senac Santana, na norte, e da antiga sede do Banco Hipotecário Lar Brasileiro, no centro histórico. Na definição do IAB-SP em nota de pesar: "Construiu uma trajetória relevante na arquitetura paulista".




