Segundo as redes bolsonaristas, a Amazônia está sendo destruída como nunca, e a culpa é do Lula.
"Onde estão os artistas da esquerda agora? A Amazônia está sendo destruída pelas queimadas, e o governo Lula não faz absolutamente nada," diz, por exemplo, uma voz gerada por inteligência artificial num vídeo que circula na internet.
É verdade que, nesta semana, o Amazonas está sofrendo com grandes incêndios florestais. Mas isso não significa uma maior derrubada da floresta nos últimos quatro anos.
Os dados oficiais revelam que o desmatamento na Amazônia atingiu, em agosto, o nível mais baixo em mais de uma década: foram 2,8 mil quilômetros quadrados de agosto de 2025 a julho de 2026.
Foram 36% a menos do que no período anterior, de agosto de 2024 a julho de 2025, em que se desmataram 4,5 mil quilômetros, de acordo com o Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), mantido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Se levado em conta o governo Lula como um todo, houve 41% menos desmatamento que durante o governo de Jair Bolsonaro, conforme calculou o Observatório do Clima.
Impacto da seca e do El Niño
A questão é que a campanha presidencial esquentou, e tem circulado uma meia-verdade nas redes sociais: dados sobre a quantidade de vegetação queimada na Amazônia, e não da área de floresta derrubada.
As queimadas resultam em parte, sim, de ações criminosas —quando alguém provoca incêndios para, depois, cortar a floresta. Mas outros fatores ajudam a espalhar o fogo, como períodos de seca intensa, ou o El Niño, que está acontecendo neste ano.
O fenômeno contribui para incêndios extremos na Amazônia e em outras partes do mundo. Nesses casos, mesmo que a floresta queime, ela ainda pode se regenerar se não houver interferência humana.
Faz tempo que aliados da família Bolsonaro usam as queimadas contra o governo Lula. Eles tentam, assim, deslegitimar críticas à gestão ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula retomou políticas ambientais
Em outro vídeo feito com inteligência artificial, uma falsa imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diz que a crise atual no Amazonas "revela a incongruência, a incompetência, o descaso, a hipocrisia do PT e da esquerda. E eles somem diante do que está acontecendo na Amazônia."
Em relação aos incêndios de outubro, o Corpo de Bombeiros local disse que, inicialmente, o governo federal negou ajuda. O que fez Lula ser alvo de críticas. Mas o governo federal contestou a declaração, afirmando que ofereceu ajuda assim que o estado de emergência foi declarado no Amazonas.
A grande diferença entre os governos de Lula e Bolsonaro, porém, está na fiscalização ambiental. Bolsonaro desmontou órgãos públicos que combatem o desmatamento ilegal, como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Já Lula retomou políticas ambientais que fizeram o desmatamento cair e poderiam levar o Brasil a zerar o desmatamento ilegal até 2030, de acordo com análise do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).



